Mariana Arroja apresentou videoclipe gravado durante recriação de procissão que não se realizava há um século. Comunidade envolveu-se no projeto

No dia em que se assinalou o primeiro aniversário da elevação a vila de Salir do Porto, 4 de outubro, foi apresentado o videoclipe oficial da música “Capela de Santa Ana”, da cantora Mariana Arroja. Tratou-se de uma produção da ADN Comunicação Global, com o apoio da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, que recria a procissão à Capela de Santa Ana como era feita há mais de um século. A inspiração para escrever “Capela de Santa Ana” surgiu durante uma visita a Salir do Porto, após uma viagem ao Brasil. “Estive na casa de uma senhora que tinha uma árvore gigante, a canoa da terra, que ela protegia e enaltecia. Ao chegar dessa viagem, vim aqui a Salir e decidi subir até Sant’Ana com a minha sansula [ndr: pequeno instrumento musical também conhecido como piano de polegar], e aquela árvore tomou todo um outro sentido. Porque Santa Ana, sendo mãe de Maria, é a árvore que gera todos os frutos”, explicou a artista aquando da procissão, em julho deste ano.

No passado sábado Mariana Arroja destacou a capela como um “lugar que acolhe” e enalteceu as características da população de Salir do Porto, que se “une para fazer acontecer”. “Apesar de estar aqui desde o século XII, Salir nunca se esquece da capela, um lugar que transmite muita emoção, tranquilidade e inspiração e foi dessa inspiração que surgiu a canção Capela de Santa Ana”, explicou às várias dezenas de pessoas que ali se juntaram para a ouvir cantar esta música, mas também outros temas do seu último álbum “O meu nome é ninguém”, com composições da cantora com letra da poetisa Maria Manuel Cid.

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Antes do concerto, Arnaldo Custódio, da Associação Amigos de Salir do Porto, partilhou uma resenha histórica do processo que conduziu a que Salir passados 325 anos passasse a ser vila. Lembrou que as referências mais recuadas relativamente à freguesia e município de Salir do Porto respeitam à sua constituição, que teve origem na carta de povoamento, datada de 1340 e atribuída pelos proprietários da localidade aos seus então 30 residentes. Nela foi instituído um juiz, nomeado pelo senhorio, que conferiu a Salir do Porto uma pequena estrutura municipal com estatuto e título de vila. A criação da vila remonta a 1340. Viria a ser abolida em 1789 e o ano passado a localidade recebeu novamente o seu estatuto.

Ainda de acordo com Arnaldo Custódio, esta freguesia chegou a estar integrada, juntamente com a da Serra do Bouro, no concelho de S. Martinho do Porto. No entanto, em 1855, aquando da reforma da Regeneração, o concelho de S. Martinho do Porto foi extinto e as duas freguesias transitaram para o concelho das Caldas.
A capela, localizada no promontório da barra de São Martinho do Porto, foi totalmente recuperada em 2021.

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