
Mas se é importante a descoberta do ser animal, outra descoberta torna-se tão ou mais relevante: a descoberta do “eu”! A descoberta do “eu” que receia e anseia, do “eu” que pensa e age, age e pensa ou age sem pensar apenas. O verdadeiro conhecimentos do ser humano fazendo uso de uma plataforma tantas vezes imprevisível, em ambiente tantas vezes de tensão e stress, sobe olhares que nos acanham ou nos motivam.
Na realidade montar a cavalo, bem como o restante relacionamento com ele, conferem um grau de incerteza, tensão e de adrenalina tal capazes de fazer gelar o mais corajoso dos homens, ou deixar eufórico o mais frio dos cavaleiros. A cavalo ou com cavalos, todas as emoções sobem a patamares elevadíssimos, tornando essa experiência como única e inolvidável.
Tão única que, avaliada sob o ponto de vista exclusivo do cavaleiro, acaba por ser como que um combate entre o seu instinto e a sua inteligência, entre a determinação e a calma, entre a força e a descontração.
Muitas são as referências à antiga Cavalaria Portuguesa e ao seu ímpeto e velocidade, fatores ainda hoje tão presentes nos desportos equestres.
De facto, a vontade em avançar e a velocidade a que se desenrolam os acontecimentos, obriga os cavaleiros a preocuparem-se com inúmeros fatores antes, durante e após qualquer ato em que se apresente a cavalo. Por estas razões toda a atividade equestre potencia qualidades como: velocidade de raciocínio, desembaraço, controle, descontração mental e física, sensatez, iniciativa, coragem moral e física, espírito de sacrifício, sensatez, entre muitas outras qualidades.
Neste âmbito, importa salientar todos os que aliam as suas qualidades como cavaleiros a um respeito inabalável pelo cavalo, por um interesse por tudo o quanto lhe diga respeito, pela vontade em aprender e ensinar a arte até ao último dos seus dias. A estes afortunados apelidamos de “homens de cavalos”!
Maj. Pedro Carvalho
Mestre de Equitação e Dir. Técnico do CEIA-Centro Equestre Internacional de Alfeizerão