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Mais de 300 mil pessoas com asma tiveram um ataque de falta de ar no último ano

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Mais de 300 mil pessoas com asma tiveram um ataque de falta de ar no último ano

A asma é uma doença que provoca dificuldades respiratórias. Quando a pessoa respira normalmente o ar entra pelo nariz e pela boca, desce pela faringe e pela laringe, entra na traqueia que é o tubo mais largo do aparelho respiratório. Segue para os pulmões onde circula dentro dos brônquios que são tubos que se ramificam e terminam em saquinhos de ar, os alvéolos. Chegado aos alvéolos, o ar transmite oxigénio ao sangue, recebe em troca o dióxido de carbono e volta a sair pelo mesmo caminho.

Acontece que os brônquios geralmente se encontram descontraídos, bem abertos, deixando o ar circular à vontade. Mas se por exemplo a pessoa entra num sítio onde há gases ou outras substâncias tóxicas, os brônquios inflamam-se e contraem-se para impedir a passagem desses agentes agressores. A contração ou espasmo é afinal uma reação do próprio corpo, um alerta para que a pessoa fuja dali. Nas pessoas que têm asma os brônquios inflamam-se e contraem-se com mais facilidade e intensidade e em múltiplas situações.
A tosse, o aperto no peito, o cansaço, a dificuldade em respirar e a pieira ou chiadeira no peito são os sintomas típicos desta doença. Os sintomas aparecem mais frequentemente à noite ou no início da manhã e tanto podem começar por tosse como por falta de ar, não há ordem fixa.
Há muitos fatores que podem provocar asma, como os alergénios do ambiente exterior (pólens e fungos) ou do ambiente interior (ácaros, animais domésticos); contaminantes do ar como fumo de tabaco; viroses como a gripe ou os catarros respiratórios; alguns alimentos e alguns medicamentos podem despertar sintomas ou condicionar a gravidade da asma; o refluxo gastro-esofágico, a ansiedade, o stress ou as mudanças súbitas das condições meteorológicas, entre outros.
Nem todas as pessoas reagem aos mesmos fatores. Há pessoas que não podem, por exemplo, aproximar-se de cães e gatos mas nada sofrem com o pólen da Primavera. Ou seja, os potencias agentes agressores das vias áreas não têm o mesmo efeito em todas as pessoas com asma.
Para controlar a asma é indispensável conhecer os fatores a que se é sensível e evitá-los. Mas, de uma maneira geral, devem-se evitar ambientes poluídos, o fumo de tabaco activo ou passivo, os cheiros muito ativos, o contacto com pelos e penas de animais, os ambientes empoeirados ou húmidos, as constipações, entre muitos outros.
O diagnóstico da asma é clínico, não existindo nenhuma análise que permita um diagnóstico precoce. Para além da história e interrogatório clínico, os testes de alergias, as provas de função respiratória, e menos frequentemente alguns estudos radiológicos e análises ao sangue são suficientes na maioria das vezes para a caraterização do doente com asma.
Com diversas condicionantes e doenças associadas, nomeadamente do mundo das alergias, como é o caso da rinite alérgica, da conjuntivite alérgica, do eczema atópico, da alergia alimentar ou a medicamentos, importa que a abordagem da asma seja feita de um modo holístico, integrado. É indiscutível que o imunoalergologista é o profissional de saúde que, em articulação com o clínico geral ou com o pediatra, melhor cuidados pode prestar a quem sofre desta patologia, tal como é uma parte fundamental na orquestração das atitudes necessárias para aumentar a eficiência do sistema de saúde. É igualmente este especialista que pode indicar a vacinação anti-alérgica, modificadora da história natural da doença, frequentemente muito limitante de uma adequada qualidade de vida.
Atualmente é indiscutível que a asma é uma doença crónica, muito frequente, transversal a todos os grupos etários, devendo merecer uma atenção particular, quer nos aspetos de diagnóstico, quer nas ações que podem permitir melhorar o seu controlo e conseguir até a sua prevenção.
Por este conjunto de razões, para possibilitar um aumento da notoriedade desta doença ainda associada a muitos mitos e crenças, a SPAIC, por decisão dos seus sócios e à semelhança de sociedades científicas internacionais similares, adotou um novo nome, passando a incluir ASMA na sua designação: Sociedade Portuguesa de Alergologia, Asma e Imunologia Clínica – SPA2IC.
Nos últimos anos foi esta a sociedade científica que no nosso país mais contribuiu para a investigação e conhecimento sobre a asma. Para além de múltiplas iniciativas de educação médica e sensibilização para o público em geral, a SPA2IC esteve sempre empenhada com o objetivo de promover a saúde dos portugueses, ao melhor custo possível, sem desperdícios, defendendo a causa e os interesses das pessoas com asma.
Para mais informação consulte: www.spaic.pt

Dr. Mário Morais de Almeida
Imunoalergologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia, Asma e Imunologia Clínica

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