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Voluntários dizem que “não há coisa mais bonita do que poder calçar os sapatos do outro”

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Voluntários dizem que “não há coisa mais  bonita do que poder calçar os sapatos do outro”
Os voluntários da organização “Meninos do Mundo” Carmen Gonçalves, Teresa Fernandes e Carlos Xavier

Três voluntários da Organização Não Governamental (ONG) “Meninos do Mundo” estiveram na biblioteca caldense, no dia 17, a partilhar as suas experiências com jovens das escolas locais. Teresa Fernandes, Carlos Xavier e Carmen Gonçalves apresentaram também o livro “Voluntariado Internacional”, que reúne vários testemunhos, sobretudo dos jovens que participam nos projectos que dinamizam

Teresa Fernandes tinha 15 anos quando teve a sua primeira experiência de voluntariado. A jovem, que vivia em Macau, “numa espécie de bolha” onde não existiam contrastes, rumou a S. Tomé e Príncipe para sensibilizar as crianças e jovens para os seus direitos. “Fazer voluntariado é uma experiência muito única e cada um vive-a de maneira diferente”, salientou a jovem, agora com 19 anos, que da sua primeira missão lembra o cheiro a banana frita ou o episódio em que um menino lhe veio pedir as espinhas do peixe que deixara do almoço para as comer, e que seria a sua primeira refeição do dia.
Essa experiência permitiu-lhe também perceber que a realidade em que vivia não era a de toda a gente. “Há crianças que têm de andar quilómetros para conseguir água, outras que não têm acesso à educação, mães que não têm comida para dar aos filhos, e é muito importante olharmos para isso”, defendeu a voluntária, que também já esteve em missão na Guiné Bissau, para ajudar raparigas que foram vítimas de casamentos precoces e forçados.
“Não há coisa mais bonita do que poder calçar os sapatos do outro, perceber a sua situação e o que podemos fazer por ele”, disse a jovem estudante na apresentação do livro “Voluntariado Internacional”.
Tal como Teresa Santos, Também Carlos Xavier é voluntário na organização “Meninos do Mundo”. O estudante de Mestrado em Gestão iniciou o seu percurso solidário aos 18 anos. Tinha acabado de entrar na faculdade quando partiu para S. Tomé e Príncipe, um país onde julgava que havia falta de alimentos mas que, ao chegar, apercebeu-se que as principais carências são ao nível afectivo, entre pais e filhos. A equipa que integrou falou com as crianças sobre os direitos que tinham mas, tal como observa o voluntário, o problema é que depois não havia a quem recorrer para os fazer valer. Uma situação que a “Meninos do Mundo” está a alterar, ao criar várias propostas para alterar a lei de protecção à infância em S. Tomé e Príncipe, que já foram discutidas e aprovadas pelo governo daquele país africano. Elementos da ONG também já deram formação às pessoas que lá trabalham directamente com estas problemáticas.
Carlos Xavier regressou a S. Tomé e Príncipe o ano passado para a inauguração da primeira biblioteca numa escola pública, criada por esta organização. “O nosso trabalho passa por deixar qualquer coisa nas crianças”, salienta o jovem que, no mesmo ano rumou à Grécia, onde esteve durante dois meses num centro comunitário a ajudar refugiados.
Os dois jovens consideram-se “sortudos” por poderem ajudar quem precisa. Garantem que recebem mais do que dão e que depois querem dar mais, como se de um ciclo vicioso se tratasse.

Projectos de continuidade

A acompanhá-los esteve também Carmen Gonçalves, voluntária e elemento da direcção da ONG.
De acordo com esta assistente social o objectivo desta organização é o de assegurar que os direitos das crianças sejam proclamados e garantidos, trabalhando para isso, não só com os mais novos mas também com as suas famílias, escolas e comunidade envolvente.
A responsável realçou que, antes de ir para qualquer local fazer voluntariado, há que pensar se se é efectivamente útil e preparar antes para, quando lá chegar, fazer-se um trabalho real e efectivo. Uma das preocupações da “Meninos do Mundo” prende-se com o facto de não se fazer uma acção específica e depois virar costas. “O nosso papel tem sido o de criar sempre projectos de continuidade”, explicou Carmen Gonçalves.
A organização tem a decorrer um projecto em S. Tomé e Príncipe que aborda as questões das necessidades educativas especiais das crianças. Começaram com uma escola e, entretanto, já estão a trabalhar com mais duas e o Ministério da Educação daquele país quer replicar a ideia ao país inteiro. Outra problemática que pretendem trabalhar é a dos abusos sexuais.
Em Guiné Bissau a associação possui protocolos ao nível da saúde e estão a trabalhar com as meninas que foram vitimas de casamentos precoces no sentido de conseguirem garantir a sua sustentabilidade. Outro dos projectos para 2020/21 é a criação de um centro de acolhimento, pois o existente, que acolhe 52 crianças, não tem condições.
Carmen Gonçalves deixou ainda um apelo aos jovens para que se quiserem embarcar numa experiência solidária, antes conheçam bem a organização a que se juntam. “Fazer voluntariado é muito importante, mas dar só por dar não é solidariedade, é caridade”, argumentou.
Nesta apresentação, dinamizada pela turma de Gestão de Turismo, no âmbito do módulo de Turismo de Experiências, da EHTO, foi ainda apresentado o livro sobre voluntariado Internacional feito por esta organização não governamental.

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