

Hoje, em 2013, muitos anos distanciam estas duas fotos; talvez 80 ou mesmo 90 anos possam separar a velha da nova fotografia. A foto actual faz, perante a outra, um contraponto a cores. Nunca mais andei de comboio desde 1997. Antes disso andei em 1977, eu ainda não tinha automóvel, era Março e minha mãe veio dizer adeus ao Rossio e chorar umas lágrimas doces enroladas numas bananas da Madeira, simpatia de última hora. Os táxis não paravam na plataforma, a automotora para as Caldas (para a Figueira?) estava prestes a partir e o tempo urgia. Foi rápida a despedida, a viagem era de duas horas. Sabíamos que, como sempre, a camioneta (a carreira) das sete e vinte esperava por nós, era o serviço combinado com a CP. E depois ainda havia a paragem do Clementino. Muita gente perdia a carreira para Santa Catarina mas o senhor Guimarães e o Vítor davam o conselho de ir depressa até ao Clementino porque ali na taberna, entre tremoços e copos de três, havia sempre uma paragem informal. Era a força do costume.