Início Sociedade Liberdade de imprensa é “bastião da democracia”

Liberdade de imprensa é “bastião da democracia”

0
Liberdade de imprensa é “bastião da democracia”
Dina Matos Ferreira numa entrevista no início da carreira de jornalista no Diário de Notícias

Jornalista do DN foi enviada especial nos EUA, onde acompanhou as eleições que foram ganhas por Bill Clinton

Dina Matos Ferreira
Docente e consultora de
Comunicação e Advocacia

Ensina na Universidade Católica e no ISEG. É consultora nas áreas da Comunicação e da Advocacia. Fez o curso de Direito e Ciências da Informação na Universidade Católica (mais ao menos ao mesmo tempo). Integrou o segundo governo Cavaco Silva (1990), na Tutela da Comunicação Social, mas não acabou o mandato, pois preferiu integrar a equipa do Diário de Notícias entre 1992 e 1994

 

Enviada especial às eleições presidenciais norte-americanas de 1992, quando Bill Clinton derrotou George Bush (pai), Dina Matos Ferreira, jornalista de Política Internacional do Diário de Notícias entre 1992 e 1994, viu a história a acontecer, visto que aquela foi uma das poucas ocasiões em que um presidente dos EUA falhou o segundo mandato…
Casada com Miguel Paiva e Sousa, um dos herdeiros da Ceres, mantém uma relação regular com a cidade termal, acompanhando o marido na gestão daquele hub criativo. Da experiência na cobertura das eleições norte-americanas, recorda vários episódios.
“Percebi que Bush iria perder logo nos primeiros dias”, garante a jornalista, que tinha 25 anos quando viveu esta experiência em terras do Tio Sam.

Docente é consultora nas áreas da Comunicação e das Relações Externas

Entre outubro e novembro de 1992, viveu entre Nova Iorque e Washington DC. Hospedou-se no Hotel Plaza (na Broadway) e, depois, no sofisticado Upper East Side, onde havia concertos e “open houses” todas as noites e onde estão todos os envolvidos nas campanhas”, recordou à Gazeta das Caldas a repórter, que teve total liberdade para trabalhar.
Em Washington, ficou no Hilton, que também era a sede de campanha de George Bush. E teve a oportunidade de entrevistar senadores, congressistas e assessores da Casa Branca, incluindo uma assessora que já tinha trabalhado anteriormente com Nancy Reagan.

Álvaro Cunhal nos EUA
Durante aquela cobertura, ainda conseguiu uma conversa com Gus Hall, o presidente do Partido Comunista norte-americano. “Marquei uma entrevista para os dias seguintes”, recorda. O comunista referenciou como apreciava… Álvaro Cunhal, tendo inclusivamente mostrado algumas pinturas (retratando ceifeiras) do político português.
“Disse-me que tinha uma grande admiração por Álvaro Cunhal, e que ele era dos últimos bastiões do comunismo puro do mundo”, revelou Dina Matos Ferreira.
Já em Washington DC teve a oportunidade de entrevistar vários conselheiros de Bill Clinton para as Relações Internacionais e Marketing Político na Universidade de Georgetown, onde o político tinha estudado.
“Abriram-me as portas e consegui marcar entrevistas rapidamente”, disse Dina Matos Ferreira, que foi convidada por John Zorak, presidente da Associação dos Lobistas Profissionais, para fazer a primeira especialização sobre lóbi na Universidade de Georgetown.

Nos EUA, o jornalismo é um verdadeiro garante da Democracia

“Pedi ao DN para fazer esta formação intensiva, que durou alguns dias, porque me permitiu adquirir novos contatos com mais responsáveis ligados à política norte-americana”, recorda.
A jornalista teve acesso livre aos gabinetes de imprensa da Casa Branca, às sedes de campanha, aos dados de donativos de instituições e várias personalidades, pois naquele país, diz, “aposta-se numa clara política de transparência” com os media.
De resto, conheceu Ross Perot, um magnata que foi candidato independente às eleições nesse ano. “Conheci-o em campanha de rua”, relembra.
Para Dina Matos Ferreira, “ser jornalista nos EUA é um posto”. “É um dos vetores em que se baseia a democracia”, garante a antiga jornalista, acrescentando que o jornalismo “é na verdade uma espécie de provedor do cidadão. E na América facilitaram-me sempre o trabalho”.
O mesmo já não podia dizer do seu país. Em Portugal, sentia que lhe eram colocadas barreiras à execução do seu trabalho de repórter.
Porém, de regresso a Lisboa, integrou o gabinete de investigação do DN. “Foi nessa altura que pude constatar as limitações económicas do jornalismo, pois um dos trabalhos que produzimos não teve o aval do Conselho de Administração do jornal”.
A justificação dadas às autoras foi “que poderia colidir com os interesses de um dos anunciantes da própria publicação”, explicou Dina Matos Ferreira, admitindo que aquele foi o “primeiro balde de água fria no jornalismo”. A jornalista sentiu apoio da equipa editorial mas não da administração e a reportagem não seria publicada…
Na época, o DN “era líder de mercado” e a jornalista ainda fez parte da equipa que abriu a redação daquele diário no Porto. Posteriormente, Ferreira concluiu o estágio de advocacia e terminou uma especialização em Opinião Pública, em Navarra. Foi convidada a dar aulas na Católica, tendo, mais tarde, aceite o convite de Luís Paixão Martins para trabalhar na agência de comunicação LPM. O jornalismo ficava para trás.

Teve acesso livre a sedes de campanha e a dados sobre doações de personalidades

Seguiu-se a chefia da comunicação externa da EPAL e, depois, a Direção da Apifarma, onde esteve durante uma década, tendo sido responsável pelas áreas da Comunicação e das Relações Externas (Lobbying). Dina Matos Ferreira é consultora nas duas áreas e deu sempre aulas, depois de ter abdicado, em definitivo, do percurso como jornalista profissional.
Hoje em dia, a candidata a doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais, é consultora nestas áreas. Sempre que vem às Caldas, Dina Matos Ferreira não dispensa uma visita à Foz do Arelho. ■

Loading

Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.