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“É lamentável ver tanta inovação tecnológica na prateleira” e não ser aplicada aos camiões

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“É lamentável ver tanta inovação tecnológica na prateleira” e não ser aplicada aos camiões
Camiões eléctricos e autónomos, como o Tesla Semi, prometem revolucionar o sector do transporte comercial | D.R.

A associação ambientalista Quercus chamou à atenção para a estagnação da eficiência dos camiões que circulam na Europa nos últimos 20 anos. A adopção de novas tecnologias disponíveis poderia reduzir o consumo de combustível na ordem dos 18%, com ganhos para o ambiente e para as transportadoras, que poderiam poupar cerca de 5.700 euros por ano por camião.

A associação portuguesa baseia-se num estudo publicado pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), da qual a Quercus é membro. Esse estudo combina uma série de tecnologias disponíveis, mas que os fabricantes só disponibilizam “como extras opcionais dispendiosos, deixando as transportadoras incapazes de suportar os custos iniciais”, refere a Quercus, acrescentando que “é lamentável ver tanta inovação tecnológica na prateleira”.
Um dos casos mais flagrantes é o dos motores de turbina de compressão escalonada, que permitem poupar 3% em combustível. Apesar de estar disponível no mercado há 15 anos, este tipo de motorização está apenas instalado em 0,24% dos camiões europeus.
A estes motores, o estudo recomenda que se aliem outras tecnologias, como os sistemas de cruise control adaptativo (1,9%) e predictivo (1,5%). Este último obtém informações sobre a estrada, através de GPS, para determinar as melhores definições de velocidade e relação de caixa de velocidades a fim de optimizar o consumo nos dois quilómetros imediatamente à frente. Por exemplo, se o sistema detecta uma subida seguida de uma descida, reduz a velocidade na subida para poupar combustível e recupera durante a descida, mantendo no final o mesmo tempo gasto até ao destino.
A estes sistemas podem ainda juntar-se sensores de pressão dos pneus (1%), saias laterais para os atrelados (2%), catalisador selectivo (3%) e pneus de baixa resistência ao rolamento (7%). É a soma da poupança gerada por estes sistemas que permite chegar a uma economia de 18% no consumo de combustível.
“Algumas tecnologias já estão no mercado há mais de cinco anos, mas apenas são implementadas em 15% dos novos camiões”, refere a Quercus.
Os pneus de baixa resistência ao rolamento, que podem ser equipados em qualquer camião e não apenas nos novos, são mesmo a tecnologia ao dispor das transportadoras que proporciona maior poupança de combustível. No entanto, apenas 1% dos camiões que circulam no velho continente os utilizam, de acordo com os dados do International Council on Clean Transportation.
Segundo a T&E, a criação de normas abrangentes para toda a União Europeia que regulem os combustíveis para veículos pesados ajudarão a reparar esta falha de mercado. Este tipo de normativa já existe na América do Norte, na China e no Japão, no sentido de assegurar que a implementação de tecnologias maduras nos novos camiões lançados no mercado, em prol da poupança de combustível.
Os camiões representam menos de 5% de todos os veículos que circulam na Europa, mas são responsáveis por cerca de 25% das emissões de gases com efeito de estufa. A Quercus realça que o seu consumo de combustível destes veículos não melhorou nos últimos 20 anos, o que significa que um camião de 2015 consome, em combustível, aproximadamente o mesmo que um de 1995.
O combustível é uma das principais despesas das transportadoras, cada camião pode gastar cerca de 32 mil euros por ano em gasóleo. J.R.

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