A posição dos partidos perante o fim do colonialismo faz manchete da primeira página da Gazeta das Caldas do dia 3.
“Foi com profunda satisfação que o Partido Comunista Português, o Partido Popular Democrático e o Partido Socialista tomaram conhecimento da patriótica declaração do Presidente da República, General António de Spínola, em que formal e solenemente se reconhece, em nome de Portugal, o direito dos povos de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique à independência. É um acto que emana da consciência de um povo amante da paz, da liberdade e da fraternidade humana. É preciso que o mundo se aperceba a que bastaram três meses de liberdade para resolver em paz uma guerra suscitada e alimentada por 48 anos de fascismo. É preciso que esta paz seja entendida como a vontade de um povo livre. O júbilo pelo fim da guerra tem de ser publicamente demonstrado. Assim, os três partidos de coligação exortam o Povo Português a manifestar acima de quaisquer particularismos partidários ou associativos, unido sob a égide da bandeira nacional o seu apoio ao Presidente da República, ao Movimento das Forças Armadas e ao Governo, nos subsequentes e difíceis actos que irão concretizar, a partir de agora, a independência dos povos das colónias”, lê-se, numa posição conjunta, antes de o jornal dar espaço a cada um dos partidos para falar sobre a questão.
As comissões administrativas

Os artesãos caldenses
“Sabe-se que a principal indústria Caldense, a cerâmica, principiou aqui em tempos muito remotos, em pequenas oficinas, que passando de geração em geração, de pais para filhos, ainda hoje subsistem sem qualquer protecção oficial, e sem que os seus proprietários artesãos beneficiem, normalmente, de qualquer espécie de Previdência ou regalias sociais. Podemos citar, por exemplo, Francisco Frazão, Leonel dos Santos, Leonel de Sousa Moreira, etc., que são cerâmicos com idades à volta dos 70 anos e vêem agora, com certa tristeza, que tendo trabalhado sempre, desde crianças, não têm o justo direito à reforma, no fim das suas vidas”, alerta a Gazeta das Caldas num artigo intitulado de “A situação dos artesãos caldenses”.

O Cooperativismo


O artigo termina com um apelo para os sócios das cooperativas agrícolas. “Apelo para os sócios forçados das falsas cooperativas agrícolas (grémios da lavoura) para que as transformem agora, livre e voluntariamente, em verdadeiras cooperativas agrícolas, a elas aderindo em massa e nelas dedicando o melhor dos seus esforços à tarefa de reconstruir a economia popular em bases autenticamente democráticas. Para esse fim, sugiro (quanto aos agricultores da região leiriense) que solicitem à UNICOOPE (talvez através do Boletim Cooperativista, rua Álvaro Gomes, 112, Porto) o conselho e a colaboração dum especialista que aquela instituição cooperativa pudesse pôr à sua disposição. A falta de espírito cooperativista e a ignorância dos métodos cooperativos, são entraves fatais ao fomento e à própria existência das cooperativas”.
Acordo na F. A. Caiado
Destaque também para o acordo na empresa F.A. Caiado, que pôs termos a uma luta entre trabalhadores e administração. “A comissão de trabalhadores da firma F.A. Caiado (Caldas da Rainha) reunida, no Regimento de Infantaria n.º 5, com a administração da empresa, e com a presença de elementos das Forças Armadas, do Ministério do Trabalho, da Intersindical e do Sindicato dos Empregados de Escritório do distrito de Leiria, chegou conjuntamente às seguintes conclusões: readmissão do colega despedido; de futuro, e até à publicação da nova lei geral do trabalho, a administração da empresa assume o compromisso de não fazer despedimentos sem justa causa. A apreciação da existência ou inexistência de justa causa, será feita previamente, por uma comissão paritária constituída no máximo por seis elementos, nomeados pela entidade patronal e pela comissão dos trabalhadores. Entretanto, atendendo ao regresso à normalização de relações entre os trabalhadores e a administração, todos os outros pontos propostos pelos trabalhadores vão ser discutidos e solucionados conjuntamente pelos trabalhadores e pela administração”, informam.
O acidente de Mário de Carvalho

“Em circunstâncias ainda por esclarecer, na estrada que liga Santa Catarina a esta cidade e próximo daquela freguesia, colidiram, ontem, à noite, um automóvel e uma camioneta de carga, acidente de que resultaram graves ferimentos no condutor do veículo ligeiro. Trata-se do dr. Mário de Carvalho, conhecido advogado nesta cidade, onde reside, e dirigente do Sporting Clube de Portugal, o qual, além de fractura exposta de uma perna, sofreu fracturas de um braço e de uma anca e várias escoriações. Conduzido à Casa de Saúde do Montepio Rainha D. Leonor, o sinistrado foi ali sujeito a urgentes intervenções cirúrgicas, que correram bem e de forma a que o seu estado possa ser considerado como livre de perigo, embora inspirando os naturais cuidados”, lê-se no artigo, que foi republicado do “O Século”, com a seguinte nota: “Gazeta das Caldas, que por várias vezes contou já nas suas colunas com a colaboração do dr. Mário de Carvalho, apresenta ao estimado advogado e político votos de rápido e total restabelecimento”.
Doutor em Farmácia

Nota ainda para a vinda de Mário Soares ao Bombarral e para um artigo intitulado de “A Igreja e a Política”.
Da Câmara das Caldas vinham, entre outras, as seguintes novidades: um subsídio de 6000$00 à Junta de Freguesia do Carvalhal Benfeito para a reparação da ponte entre Santana e Mestras”, o “recomendar aos Serviços Municipalizados o estudo da electrificação de Cabreiros, Casal da Cabana, Casal das Malhadas e Outeiro da Venda” e o “fixar entre 14 e 18 a tradicional Feira de Agosto”.
Para a semana trazemos mais artigos escritos a chumbo. Até lá.






