“Cidade muito progressiva – opinião de Marcelo Caetano sobre as Caldas” é o título de um artigo, na primeira página da Gazeta das Caldas do dia 17 e que aborda a já referida vindo do chefe do governo de então às Caldas entre o 16 de março e o 25 de abril.
“Na sua recente visita particular a esta cidade, acompanhando o ex-ministro espanhol Lopez Rodó, o chefe do Governo esteve, como noticiámos, no templo de Nossa Senhora do Pópulo e no museu de José Malhoa. Chegou à igreja quando nela o capelão do Centro Hospitalar, padre Miguel de Amorim, celebrava missa, a parte da qual assistiram os dois estadistas. Estes deslocaram-se depois ao referido museu”, lê-se na peça que nos traz “duas impressões deixadas pelo professor Marcello Caetano: Caldas é uma cidade muito progressiva. Lamento não termos podido visitar, no museu, a sala de Eduardo Malta. De facto a visita, na pinacoteca caldense, à referida sala não foi possível por esta estar encerrada em razão das obras a que ali se procede”, conta a Gazeta.
A POLÍTICA COLONIALISTA


ASSIM – NÃO!


A SAÚDE


MUSEU JOSÉ MALHOA
Na edição do dia 20 a Gazeta publica ainda um texto do então diretor do Museu de José Malhoa, João L. Saavedra Machado, que nele traçava a história do Museu. A peça fazia parte do roteiro lançado por ocasião do 40º aniversário daquele espaço.
“Este museu, dedicado ao grande pintor português José Malhoa (1855-1933), natural desta cidade das Caldas da Rainha, foi pela primeira vez instalado na «Casa dos Barcos», situada junto ao Iago do Jardim de D. Carlos I. Criado em 1933 pelo Ministro da Instrução Pública, Prof. Doutor Gustavo Cordeiro Ramos, o Museu de José Malhoa foi ali solenemente inaugurado em 28 de Abril de 1934, coroando de êxito a actividade exemplar que, desde 1927, António Montês vinha desenvolvendo para fundar um museu nesta cidade, sua terra natal. O entusiasmo do fundador e a dedicação de beneméritos como José Filipe Rodrigues, Agostinho Fernandes. José de Sousa, Luis Pinto. D. Maria José Malhoa e Silva, D. Júlia Adelaide Paramos Montês e outros, contribuiram para o extraordinário e valioso acréscimo das suas colecções. Em 1939 iniciou-se, segundo projecto dos arquitectos Paulino Montês e Eugénio Correia, a construção de um edifício moderno que viria a ser a nova sede do Museu Provincial de José Malhoa. Este edifício, por ocasião das comemorações do Centenário da Fundação e Restauração de Portugal, tinha sido mandado construir pela Junta de Província da Estremadura, tendo como presidente o Eng. António Rodrigues dos Santos Pedroso e como vogal do pelouro da Cultura D. José de Siqueira. Em 1940, António Montês foi nomeado director do Museu que ficou pertencendo à referida Junta e as novas instalações foram inauguradas em 11 de Agosto do mesmo ano pelo Subsecretário de Estado das Obras Públicas, Eng. Roberto de Espregueira Mendes. Sucederam-se novas incorporações, mercê da generosidade de artistas e beneméritos como João C. Pereira de Sampaio, Henrique Franco, Dr. António Luiz Gomes, Simões de Almeida Sob., Joaquim Lopes, Eugénio Correia, Raul Xavier. Dr. Alvaro Lapa e tantos outros nomes que figuram nas salas de exposição. Em 1950 e 1955 os Ministros das Obras Públicas. Eng.os José Frederico Ulrich e Eduardo de Arantes e Oliveira, ampliaram o Museu. Com efeito. foram inauguradas novas salas onde se expõem colecções oferecidas ou deposita-das, das obras de arte de Leopoldo de Almeida, de Fernando Mardel, de Severo Portela Júnior, de Eduardo Malta, de Henrique Medina e da família de Roque Gameiro. Muitos outros, como constam das legendas, continuaram a enriquecer o Museu de José Malhoa. Em 1960, pelo decreto-lei n.º 42.938 de 22 de Abril, firmado pelo Ministro da Educação Nacional, Prof. Eng.o Francisco de Paula Leite Pinto, devido à extinção da Junta de Província da Estremadura, o Museu de José Malhoa foi transferido para o Ministério da Educação Nacional e hoje está na dependência técnica e administrativa da Direcção-Geral dos Assuntos Culturais. De então para cá novas aquisições foram feitas. Continua a desempenhar a sua missão cultural. Nele funciona um Serviço Educativo, uma biblioteca doada em 1957 pela Fundação Calouste Gulbenkian cujo acervo se pretende aumentar, actualizar e organizar, realizam-se exposições temporárias, promovem-se conferências e outras manifestações culturais. Em 1972/73 reconstruiu-se todo o claustro, renovou-se totalmente a sua rede eléctrica, ensaiou-se um novo sistema de iluminação das salas que oportunamente vai ser aplicado e providenciaram-se outros beneficios. Também se adquiriram novas obras de arte, algumas já em exposição. Possui ainda este Museu uma
la anexa onde está patente uma secção de cerâmica digna de ser visitada. Este Roteiro do Museu de José Malhoa é o primeiro de uma nova série de publicações. Até à data sairam do prelo cinco edições do então chamado Catálogo do Museu (1960, 1961, 1963, 1964 e 1965) e um Roteiro (1962). Este novo folheto apresenta, de um modo geral, a ordenação das obras de arte expostas tal como a encontrámos quando assumimos a Direcção do Museu. Ao presente Roteiro sempre que haja oportunidade, novas edições se hão-de seguir”, referia. Atualmente o Museu está a celebrar o seu 90º aniversário.
Nesta semana a Gazeta noticiava que estava finalmente colocado o gradeamento da Igreja de N. Sra. Pópulo. “Podemos finalmente noticiar o termo da fase derradeira das obras que restituíram à sua primitiva feição tanto quanto se supõe o templo erigido a Nossa Senhora do Pópulo, coevo da fundação do burgo. A demolição dos acrescentamentos recentes que envolviam o edifício medieval e do anexo que parcialmente o encobria determinou modificação de conjunto e da escadaria de acesso. Isso motivou se alterasse a vedação com colocação de cantaria de suporte. O gradeamento respectivo foi retirado e, decorridos vários anos, acaba de ser colocado novo gradeamento, que se apresenta já pintado. Eis, enfim, restabelecida parte do conjunto termal”.
A RECUSA DO TÁXI

Trazemos ainda um curioso anúncio: é que no dia de saída do jornal foram inauguradas as novas instalações da Fiat nas Caldas, num edifício que, depois de anos ao abandono foi recentemente adquirido e recuperado, sendo atualmente um restaurante asiático, perto do Centro de Saúde. A empresa comunicou a abertura na Gazeta: “mudamos hoje. Esperamos por si. Dia 22”, lê-se no anúncio.
Para a semana trazemos mais artigos escritos a chumbo, com a edição que começa a contar a história do 25 de abril de 1974. Até lá.





