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Estudante de mestrado da ESAD trabalha food design com chefs

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Estudante de mestrado da ESAD trabalha food design com chefs
O alcobacense Wilson Esperança estuda na ESAD e interliga o design com a gastronomia. A sua investigação atraiu a atenção de chefes de cozinha

Alcobacense tem restaurante de família onde iniciou a sua pesquisa sobre a relação das pessoas com a comida

O estudante de mestrado de Design de Produto da ESAD, Wilson Esperança, está a trabalhar em parceria com o chef Rui Mota. O alcobacense, de 26 anos, criou as peças, no âmbito do mestrado em Design de Produto (com orientação de Fernando Brízio) que aliam o design à gastronomia e que agora foram adaptadas à realidade do setor gastronómico e despertou a atenção do food designer.
Formado em Design Industrial na Universidade da Beira Interior, o jovem não se identificou com a formação e, por isso, decidiu parar um ano. “Creio que temos de mudar comportamentos, considero o propósito do ser como um colecionador de experiências e momentos em detrimento do consumo materialista”, contou o estudante à Gazeta das Caldas.
Nestes meses de pausa, Wilson Esperança ajudou os seus pais a abrir o restaurante “Origens”, em Alcobaça, onde, além de proprietários, são também os chefes de cozinha.
Durante esse tempo, o designer viu como é que as pessoas interagiam com a comida e alguns dos seus comportamentos começaram a intrigá-lo, nomeadamente “a dependência das novas tecnologias ou a gestualidade robótica no manusear da cutelaria”.
Foi neste período de observação dos comportamentos dos clientes do restaurante da família que o designer quis “afirmar a vontade de trabalhar sobre este momento, o ato de comer, explorando a relação entre o design e a gastronomia, no intuito de criar experiências no ato de comer através de objetos”, explicou à Gazeta. E assim surgiram-lhe ideias para criar as primeiras peças – e que acabaram por resultar na parceria com o chef Rui Mota.
O designer também se interessa por restauro de objetos. Recuperou uma grande mola sem utilidade e assim nasceu “Re-Ação”, uma peça que “causa instabilidade no seu manuseamento, obrigando a uma atenção constante durante o ato de comer”, explicou.
“Pactos” (a peça dos garfos) surge após uma experiência própria, em que Wilson Esperança provou alheira e mel, surgindo-lhe a ideia de criar uma peça que permitisse a apresentação dos dois alimentos em separado.
Para o suporte desses garfos, o autor criou uma lastra em grés. O objetivo final desta peça é “dispor combinações improváveis de alimentos, em que as mesmas suscitem um sentimento de dúvida sobre a sua combinação, e que possa ser respondido durante o mastigar em combinado”, disse o alcobacense que continua a explorar, no mestrado, as ligações entre design e gastronomia.
“Percebi que queria criar objetos que suscitassem a atenção das pessoas e que lhes permitisse viverem uma experiência diferente com a comida”, afirma o designer, que recorreu a molas que encontrou na oficina do pai e que restaurou garfos que encontrou em feiras de velharias um pouco por toda a região.
Estas peças, criadas para dar o primeiro plano às propostas gastronómicas, atraíram a atenção de vários chefs de cozinha, que entraram em contacto com o designer, que se diz um autodidata no que diz respeito à criação destes objetos.
Na verdade, o estudante de mestrado da ESAD tem aprendido a trabalhar com os diferentes tipos de materiais e processos de produção por iniciativa própria ou frequentando workshops no Cencal. O alcobacense fez formação nas áreas do vidro soprado, da olaria e também no que diz respeito à marcenaria. Desta forma é-lhe possível suprir “a grande carência na formação que é a vertente prática de produção de objeto”, referiu o autor de “Re-Ação” e de “Pactos”.
Foi assim que chegou ao contacto, através do Instagram, com o chef Rui Mota, que “apreciou” o trabalho e posteriormente propôs uma colaboração”, contou Wilson Esperança, que lhe deu a conhecer a sua investigação e os objetos que, naquele momento, “ainda não estavam 100% materializados”.
Após algumas reuniões em que o alcobacense explicou o que pretendia transmitir com as suas peças, o chef Rui Mota propôs-se realizar confeções gastronómicas ao encontro do mesmo propósito.
“Esta parceria com Rui Mota contribui para a afirmação da minha identidade criativa”, salienta Wilson Esperança, frisando, ainda, que a colaboração “possibilitou a materialização e entrada” no mundo da gastronomia e “na criação de experiência no ato de comer”, rematou o autor, que vai continuar a trabalhar nesta área. ■

Wilson Esperança criou objetos relacionados com o ato de comer e com a degustação dos alimentos

Fez parceria com chef que cozinha pratos para serem degustados nas peças do autor

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