
Um encontro que serve “não só para relembrar as coisas boas, mas também as menos boas e as coisas más”, explicou à Gazeta das Caldas o então capitão desta companhia, António Cardoso.
São muitos os encontros deste tipo que se multiplicam pelo país, mas na grande maioria dos casos os convívios fazem-se para juntar de novo homens que ainda moços tiveram que deixar o seu país para combater na Guerra do Ultramar. Não é o que se passa neste caso. A C.Caç.106 era uma companhia de recrutamento local baseada em Lucunga. “Era um efectivo de pessoas que viviam em Angola, alguns nascidos e criados lá, outros idos para lá muito jovens”, contou o capitão. E quando o serviço militar acabou, muitos foram os que continuaram em Angola.
Neste sexto encontro da companhia, nas Caldas da Rainha, trocaram-se memórias entre os presentes, vindos de vários pontos do país, e recordaram-se os ausentes. E a escolha da cidade, onde pretendem continuar a encontrar-se, prende-se com a centralidade e as acessibilidades. “É fácil encontrarmo-nos aqui, tanto para quem vem do Norte, como para quem vem do Sul”, refere António Cardoso.
O responsável pela reunião anual é Abel Anjos, um lisboeta radicado há muitos anos nas Caldas da Rainha e que não quer deixar morrer esta tradição. “Criam-se amizades muito fortes”, diz. E há três sentimentos muito importantes nestes encontros: nostalgia, orgulho e camaradagem. Que o diga Olímpio Alegre Pinto, alferes da companhia que sucedeu à C.Caç.106.
“Aquilo que para mim é mais importante entre os militares é o sentimento de camaradagem, que ainda se mantém tantos anos depois e que é de extraordinário valor”, disse ao nosso jornal. “Atrevo-me a dizer que só quem combateu na guerra e teve a responsabilidade de ter soldados, militares seus, numa situação em que todos dependem de todos, é que pode sentir verdadeiramente o que é a camaradagem”, acrescentou.
Um almoço e uma tarde de convívio marcaram o encontro anual, que em 2012 deverá realizar-se de novo nas Caldas da Rainha. Entre reuniões, os antigos militares vão mantendo vivas as memórias dos tempos passados em África em ccac106-lucunga-196970.blogspot.com.