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Amália nas Caldas, vista pela Gazeta

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Amália nas Caldas, vista pela Gazeta

Em Setembro de 1971, Amália Rodrigues cantou no Casino e deslocou-se ao Hospital Termal para agradecer aos doentes que foram à janela para a saudar. Esta não foi a primeira vez que a fadista actuou na cidade termal. Já o tinha feito no final dos anos 1940, para angariar fundos para a construção da igreja matriz

Amália ensaiou durante a tarde no Casino, a 3 de Setembro de 1971 para actuar nas Caldas no serão, conforme Gazeta das Caldas noticiou na semana passada. E é através das páginas deste jornal que passamos em revista a presença da diva na cidade.
Quando saiu para jantar, no dia do concerto, a fadista dirigiu-se ao Hospital Termal para agradecer aos doentes que ali estavam internados, que foram à janela por a terem reconhecido e a terem saudado “com a maior simpatia”.
A diva do fado fez questão de retribuir a saudação dos aquistas que a cumprimentaram a partir do edifício hospitalar, situado em frente ao Casino (que mais tarde deu lugar à Casa da Cultura).
Por isso “em reconhecimento dessa atitude de popularidade subiu às enfermarias daquele hospital e a cujos doentes agradeceu e para quem teve palavras de conforto”, pode ler-se na notícia da Gazeta daquela época, publicada a 11 de Setembro de 1971.
Conta-se, no mesmo texto, que os pacientes, em reconhecimento da visita da cantora, fizeram-lhe chegar “um lindo ramo de flores, acompanhado por um amável cartão” que lhe chegou antes do concerto no Casino.
A atitude de Amália foi destacada de novo. No artigo pode ler-se que a artista “teve um gesto bastante dignificante que põe em evidência os seus dotes sentimentais”.
Já sobre a actuação afirma-se também que a “consagrada artista internacional deliciou com fados e canções o numeroso público que acorreu ao Casino do Parque para a escutar”.
Gazeta das Caldas voltará a fazer referência ao concerto de Amália no Casino nas palavras do seu colaborador, Leonel Cardoso, que tinha a seu cargo a rubrica “Pequeninos nadas”.

Rouxinol português

O autor escreveu assim: “todos escutámos, encantados, no nosso velho Casino, essa grande artista que é Amália Rodrigues”. E reproduziu versos que já tinha dedicado à rainha do fado num dos seus livros: “Rouxinol, poupa-te mais!/ Canta mas não te fatigues!/ Repara que entre os pardais/tu és Amália Rodrigues!”. Para Leonel Cardoso não havia dúvida que Amália era o “rouxinol português” e, como tal, não gostou que a diva tivesse entoado o tema “Coxicho” (grafado desta forma na altura).
A cantora, afirma Leonel Cardoso, no seu texto irónico, “não deve misturar-se com qualquer modesto ‘Coxicho’! E quem não estiver de acordo e fôr careca, que tire a boina quanto mais não seja para lhe poderem enfiar um grande barrete!…”.
Amália já tinha cantado nas Caldas da Rainha antes desta actuação no Casino. No final dos anos 1940, a artista participou numa quermesse feita para angariar fundos para a construção da Igreja da Nossa Senhora da Conceição. A igreja, que é hoje a matriz da cidade, foi inaugurada em 1951. E, pelo que contou um antigo responsável do Casino, até teve um namorado na cidade…

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