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A foice e o martelo escondidas na parede durante 40 anos

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A foice e o martelo escondidas na parede durante 40 anos
Peças estiveram em exposição na Casa dos Barcos

Símbolos do partido estiveram escondidos na Casa da Cultura, nas Caldas, até serem descobertas por pedreiros

Caldas da Rainha, anos 1940. A cidade fervilha de refugiados da II Guerra Mundial. Gente cosmopolita, habituada às novas tecnologias da época, que passavam muito pelas comunicações telefónicas e pelos telegramas. Gente também desesperada, em contacto com o mundo, com os países europeus de onde vinham fugidos e com os Estados Unidos para onde desejavam ir.
A cidade termal não estava preparada para dar resposta a tanta procura de serviços de correios, telégrafos e telefone, afinal, as siglas dos CTT. O pequeno posto instalado no rés-do-chão do edifício dos Paços do Concelho (na Praça da República) revela-se insuficiente e decide-se instalar os correios num lugar mais amplo, precisamente no edifício do antigo Casino (mais tarde Casa da Cultura).
Realizam-se obras e terá sido nessa altura que, dentro das paredes que estavam a ser rebocadas, alguém esconde uma foice e um martelo, símbolo do movimento comunista. Um gesto de revolta e desafiador. Num mundo em convulsão, com o nazismo a ocupar mais de metade da Europa e sem ainda se saber como acabaria a guerra, com Salazar e a Pide a perseguir qualquer iconografia comunista, alguém quisera deixar aquele legado para o futuro. Mais: o conjunto da foice e martelo, feito em madeira, continha frases dos operários das obras que manifestavam confiança nos tempos vindouros, rejeitando que o mundo fosse vergado pelas forças nazi-fascistas.
Nos finais dos anos 1970, já depois do 25 de Abril, quando se fizeram obras para instalar a sala de bailado na Casa da Cultura, os pedreiros descobriram o conjunto da foice e o martelo que acabaria por ser entregue ao PCP.
Esta peça já esteve em exposição na Festa do Avante, mas agora, a propósito dos 100 anos do PCP, constou de uma exposição comemorativa que esteve patente ao público na Casa dos Barcos em maio.
De resto, a partir de 20 de novembro assinala-se na região o encerramento das comemorações do centenário do PCP. Nesse dia é inaugurada na fortaleza de Peniche (hoje Museu Nacional da Resistência e Liberdade) uma exposição com todo o espólio que o partido doou aquela instituição e que poderá ser vista até 4 de dezembro. ■

A partir de 20 de novembro arranca o encerramento das celebrações do centenário do partido

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