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Médicos internistas lembram que existe um défice nos Cuidados Continuados na área das Doenças Raras

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Médicos internistas lembram que existe um défice nos Cuidados Continuados na área das Doenças Raras

notícias das CaldasA propósito do Dia Mundial das Doenças Raras, que se celebrou este ano a 28 de fevereiro, o Núcleo de Estudos de Doenças Raras (NEDR) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) vem fazer uma reflexão sobre o panorama português no que às doenças raras diz respeito. Luís Brito Avô, coordenador deste núcleo, sublinha o ritmo de introdução de medicamentos órfãos, mas também a necessidade de mais formação específica dos profissionais de saúde para esta área e o grave défice dos Cuidados Continuados na assistência a estes doentes.

Ainda que o universo das Doenças Raras seja vasto – estima-se que existam cerca de 7000 doenças – é importante destacar os avanços farmacológicos nesta área, particularmente nos últimos 20 anos. Brito Avô destaca a introdução de medicamentos órfãos «com uma progressão nas últimas duas décadas nunca antes vista». Estes avanços são o fruto do que diz ser a «notável evolução do conhecimento em algumas áreas, que levou à multiplicação sensível do número de testes biológicos e estudos genéticos disponíveis, que são facilitadores de diagnóstico e de métodos de avaliação na progressão/regressão da doença».
O coordenador do NEDR ressalta ainda o trabalho desenvolvido pela SPMI e outras organizações para aumentar o conhecimento nesta área e a partilha do mesmo. «Várias sociedades médicas, como a SPMI e outros grupos de investigação têm-se empenhado na educação médica permanente desta área. Tem sido evidente um crescimento do interesse e financiamento com programas como o Horizon 2020 disponibilizando apoios e colaborações internacionais, que devemos aproveitar ao máximo»
A reorganização dos serviços de saúde com a certificação dos centros de referência deu mais resposta, mais acessibilidade e equidade na abordagem e tratamento do doente raro. No entanto, ainda existe déficit de conhecimento quanto aos seus benefícios que importa colmatar. «É absolutamente necessário divulgar a sua existência, quer entre os profissionais de saúde, quer na população em geral, pô-los a funcionar em rede entre eles, e com toda a estrutura do SNS e integrá-los nas redes Europeias, o que já está consolidado em algumas áreas, permitindo exponenciar a troca de informação, conhecimento epidemiológico, acesso diferenciado a terapêuticas e até cuidados transfronteiriços», sublinha o médico.
A área dos cuidados continuados, tem ainda enormes carências, sendo o único exemplo em Portugal de uma Unidade assistencial específica para as Doenças Raras a Casa dos Marcos da Raríssimas. Exemplo marcante de uma das múltiplas ações das Associações de doentes, cujo papel na organização das estratégias de suporte dos doentes e famílias é absolutamente fundamental e deve ser apoiada.
Para o coordenador do NEDR «o SNS merece mesmo assim uma nota positiva em termos gerais, é preciso reconhecer que os custos da saúde têm um crescimento exponencial e os recursos não são ilimitados». No entanto o SNS português é universal, generoso e solidário, e está obrigado por legislação nacional e comunitária. «Na minha opinião tem cumprido a sua missão nas doenças raras tanto quanto nos é possível no contexto global do País».

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