A vitória nas sondagens, que depois se veio a confirmar noite eleitoral fora, levou uma multidão ao CCC para apoiar António José Seguro, na noite de domingo (18 de janeiro). O candidato, que irá defrontar André Ventura na segunda volta, quer ser “o presidente dos novos tempos” e estabeleceu como prioridade a resolução dos problemas da saúde
As projeções avançadas às 20h00 de domingo davam a vitória a António José Seguro, colocando-o na segunda volta das presidenciais. A notícia foi recebida em euforia pelos muitos apoiantes e amigos que já se encontravam no CCC e onde permaneceram numa longa noite eleitoral, até ao aparecimento do candidato residente nas Caldas, já passava das 23h30. Na cidade onde reside há mais de duas décadas, o candidato contou com o apoio de diversas personalidades nacionais e figuras autárquicas locais ligadas aos mais diversos quadrantes políticos, desde logo o PS, mas também ao PSD e CDS-PP, Livre e Bloco de Esquerda.
Num grande auditório completamente lotado, António José Seguro falou, durante cerca de 15 minutos, de esperança, união e da vitória da democracia. Sobre o seu adversário na segunda volta, André Ventura, disse apenas que, entre os dois, “há um oceano de diferenças”.
“Sou livre, vivo sem amarras. E assim agirei como Presidente da República”, manifestou o candidato que acredita que a democracia “voltará a ganhar” a 8 de fevereiro. Convidou todos os “democratas, progressistas e humanistas” a juntarem-se a ele para, unidos, derrotarem o “extremismo e quem semeia o ódio”. “Esta não é uma candidatura partidária, nem nunca será”, disse e, acrescentando que está contente com o apoio manifestado pelo PS, deixou desde logo a garantia de que é ele próprio quem conduz a sua campanha.
O candidato que quer unir e para quem “não há portugueses bons e portugueses maus, ou portugueses de primeira e portugueses de segunda” manifestou que Portugal só prospera se souber conservar o chão comum, que permite a todos viver em liberdade e em segurança. Manifestou lealdade à Constituição da República e comprometeu-se a mudar o que está mal, “a começar pela saúde”, comprometendo-se a trabalhar para o seu acesso a tempo e horas. Também “inaceitável e até indigno” é a desigualdade entre homens e mulheres e o número de pessoas em situação de pobreza, os salários baixos e a falta de habitação, problemas que quer resolver “com mais ambição”.
Nas Caldas e, já de voz rouca, António José Seguro pediu a quem partilha dos mesmos ideais que se junte e que, em conjunto, façam das próximas três semanas de campanha a Festa da Liberdade da Democracia.
“Hoje seria incapaz de sair desta cidade”
Natural de Penamacor, António José Seguro reside nas Caldas desde 2021, altura em que casou com a caldense Margarida Maldonado Freitas. Mas, já antes disso, “vinha com muita frequência, aos fins de semana e por temporadas”, recorda a farmacêutica, filha de Custódio João Maldonado Freitas, antifascista, republicano e histórico socialista caldense, falecido em 2023. Margarida recorda a boa relação entre ambos. “Eram pessoas muito parecidas no seu dia-a-dia em casa, partilhavam valores semelhantes e, portanto, isso criou uma cumplicidade muito grande entre eles. Sempre tiveram pontos de convergência e falavam de tudo, desde a atualidade partidária à política internacional e deram-se sempre muito bem”, salientou à imprensa local.
Orgulhosa do “processo de esperança” que o marido encabeça num país que vive um momento difícil, Margarida Maldonado Freitas fala da importância deste ser o “fiel depositário de alguns valores que são comuns a vários partidos e que são importantes para os democratas, os progressistas, os humanistas, que eu espero que ainda sejam a maioria do nosso país”. Também a vitória deste candidato nas Caldas é “um orgulho” para esta, também, “orgulhosamente caldense”. Margarida Maldonado Freitas admite que não estava à espera e agradece aos caldenses esta votação porque acha que “eles interpretaram aquilo que também penso que foi um desejo desta candidatura, que é mostrar onde pertencemos, esta identidade, esta preocupação por terras que não tenham que ser as capitais”.
“Caldas é uma cidade maravilhosa, com imensa capacidade, com uma cultura pujante e que precisa de ser mostrada. É uma cidade com um património magnífico e também com pessoas magníficas. E foi ótimo que isto tenha acontecido aqui e que os caldenses tenham conseguido interpretar a preocupação desta candidatura em dar voz e em projetar as Caldas” concretizou.
Para António José Seguro a ligação às Caldas “é uma coisa natural”, disse o candidato presidencial, que “hoje seria incapaz de sair desta cidade”. Diz que é ali que gosta de estar, onde tem amigos e os locais onde gosta de ir, como o Parque D. Carlos I. “Ainda hoje [domingo] fui à Foz do Arelho dar uma volta e tomar o pequeno almoço com a minha mulher”, exemplificou.
Em relação ao resultado eleitoral, já esperava uma boa votação na sua cidade. “Não me esqueço que foi aqui que lancei a minha candidatura [a 15 de junho] e foi aqui que eu quis que fosse a noite eleitoral. Isso não só demonstra o meu apreço pelas Caldas, mas também a minha visão de um país, que não é só Lisboa”, concretizou o candidato.
António José Seguro, que votou durante a manhã de domingo na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, a escassos metros de casa, não escondeu que pensou no sogro quando foi votar. “De certeza que, onde ele estiver, está feliz”, acredita.


