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Caldas também desfilou contra a troika

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Caldas também desfilou contra a troika
D.R.
Notícias das Caldas
D.R.

Caldas da Rainha, à semelhança de cerca de 40 cidades portugueses, voltou a manifestar-se no passado dia 2 de Março contra as políticas de austeridade. De acordo com a plataforma local “Que se lixe a Troika”, participaram no protesto três mil cidadãos. Os números da polícia situam-se sensivelmente em metade.
O colectivo que organiza a manifestação diz que não vai parar e vai realizar uma concentração em defesa dos hospitais caldenses e da saúde no Oeste.

Às 18h00, em uníssono com todas as outras cidades do país onde decorreram manifestações, ouviu-se entoar nas Caldas a canção, transformada em hino, Grândola Vila Morena, junto à escadaria da Câmara Municipal.
Mas o protesto começou muito antes, logo ao início da tarde. A principio tímido, apenas com algumas centenas de pessoas junto a um palco improvisado na escadaria com cartazes do Zé Povinho a dizer que “O povo é quem mais ordena” e outros a dar conta de que existem mais de 1,5 milhões de desempregados, dos quais 57% não têm qualquer tipo de apoio.


Entre os manifestantes, muitos empenhavam cartazes onde denunciam que a “saúde está doente”, “basta de roubos”, “Portugal não vive, sobrevive”, o “Estado é um ladrão, parasitas que só roubam o povo”, ou “Coelho volta para a toca”. As cantigas da moda, convertidas em grito de revolta, iam atraindo pessoas ao local, para se juntar a estudantes, reformados, militares e professores da escola pública, que reivindicavam os seus direitos.
Maria Fernanda Aguiar foi a primeira cidadã a usar da palavra para denunciar o “neoliberalismo” do governo, que está a “ser responsável pelo suicídio de muita gente”. O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, foi alvo de muitas criticas, assim como o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que “mandou os jovens emigrar”. Também o cantautor Manuel Freire partilhou o seu descontentamento com a situação do país. “Coisas feias é desemprego, a fome, a austeridade e o roubo das pensões”, disse, antes de ler um poema de Francisco Braga, que denuncia esta mesma situação.
Margarida Mauperrin criticou o pagamento de uma dívida “que não nos pertence, mas que foi feita pelos governos que abusaram da nossa confiança”. E se é o povo que mais ordena, “vamos acabar com os paraísos fiscais e investir na criação de empresas e no desenvolvimento das que existem”, defendeu, pedindo também o aumento do ordenado mínimo e a fixação de um ordenado máximo nacional.
Aos idosos, a cidadã deixou um desafio: “temos menos tempo para perder, inclusivamente o medo de falar”, apelando a que todos falem alto aos eleitos locais reivindicando os direitos e deveres cívicos. Também é preciso o poder local prestar contas relativamente à educação pública. “Está a promover os colégios, que são propriedade privada, mas que nós, os contribuintes, estamos a pagar”, denunciou, acrescentando que “se o povo é quem mais ordena, vamos ordenar justiça para o povo”.
Ao contrário da manifestação de 15 de Setembro, desta vez houve menos jovens a fazer ouvir os seus protestos, mas Patrícia Pataco foi uma das excepções. A estudante disse que as pessoas não têm dinheiro para se tratarem  e que os jovens querem trabalhar no seu país não conseguem.
Licenciada, e a trabalhar a recibos verdes, Filipa Soares partilhou a sua emoção por ver tantas pessoas nas Caldas a lutar pelos seus direitos.
O protesto seguiu pelas ruas da cidade, num percurso que compreendeu a Rua Heróis da Grande Guerra, Rainha, Rua General Queirós e Rua das Montras, num compasso marcado pelo grupo de bombos do Monte Olivetti, e a adesão de mais pessoas à luta.
No final Carlos Fernandes, da organização, lembrou que a saúde nas Caldas e na zona Oeste “não está bem” e o Hospital termal tem estado esquecido pelas entidades responsáveis, deixando um apelo para se agendar uma concentração junto do hospital caldense.

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