Foram muitos os que não quiseram perder a oportunidade de mostrar apoio a Cotrim Figueiredo. Questionado sobre a localização do novo hospital, defende que sejam revisitados os critérios para uma decisão
Pouco passava das 10h00 da manhã de sábado (10 de janeiro) quando João Cotrim Figueiredo chegou às Caldas e, pouco depois de uma curta paragem na Venezia para autografar o seu livro, seguiu rumo à Praça da Fruta. Ao bulício do mercado durante um sábado de manhã, juntaram-se os apoiantes “entusiastas” do candidato presidencial, que não quiseram perder a oportunidade de o cumprimentar. Aos desejos de boa sorte, Cotrim de Figueiredo agradecia e respondia: “eu faço a minha parte e o sr. terá de fazer a sua, que é uma cruz no dia 18 [na sua candidatura]”.
Na Praça comprou dois quilos de maçã Bravo de Esmolfe, a sua preferida, e também frutos secos. Recebeu beijos, abraços e pedidos de selfies, especialmente de jovens. Dos menos jovens recebeu recados e preocupações, sobretudo sobre a saúde e da Linha do Oeste. Houve quem vaticinasse que “vai ganhar à primeira volta”, militantes locais do CDS-PP e apoiantes do Chega que lhe manifestaram o seu apoio.
A meio, um encontro com outro candidato – Jorge Pinto- e uma aposta sobre o seu regresso à liderança da IL, que deixou em 2022. Depois de Cotrim Figueiredo lhe ter perguntado se iria até ao final da campanha, o candidato apoiado pelo Livre respondeu que sim e disse-lhe para não confundir as eleições para a presidência da República com as da presidência do seu partido. E ficou desde logo a aposta feita: “se daqui por dois anos não for presidente da IL pagas-me um almoço em Amarante”, propôs Cotrim, antes da despedida e dos desejos de sorte.
Aos jornalistas, Cotrim Figueiredo diria, um pouco mais tarde, que aprecia esta aproximação da população e tem conhecimento dos seus problemas. “Não ficam com vergonha, com timidez, antes vêm partilhar, muitas delas, questões muito relevantes e bem argumentadas relativamente às suas regiões, e eu gosto. A campanha também é isso, não é só convencer pessoas a votar, é tomar conhecimento dos seus problemas”, realçou.
A crescer nas sondagens, o candidato liberal registou, também, “um maior entusiasmo, a campanha a crescer”, explicando que esta semana seria dedicada a ações de rua, que acabam por provocar uma maior mobilização das pessoas.
Nas Caldas ouviu problemas concretos da região, que conhece desde que está na vida política (que começou em 2019) e que passam pela localização do hospital Oeste, “que continua sem estar decidida”, e a finalização da eletrificação da linha do Oeste, “que já começou há anos e que não há maneira de terminar”. Há, depois, problemas específicos de combatentes, da saúde ou da habitação, “que não são muito diferentes aqui nas Caldas da Rainha do que são noutros pontos do país”, salientou.
Referindo-se ao novo hospital do Oeste, o candidato presidencial lembrou que se trata de um processo que se arrasta há anos e que já teve, inclusive, dotação orçamental. No entanto, “o processo de decisão da sua localização parece a coisa mais difícil e rocambolesca que posso imaginar”, comentou, acrescentando que, ainda que o Presidente da República “não possa pegar numa caneta e dizer que o hospital é aqui, pode relembrar aos responsáveis da saúde que a saúde do Oeste tem problemas, nomeadamente de capacidade de resposta, porque esta decisão não é tomada”. Cotrim Figueiredo defende que sejam revisitados os critérios para uma decisão, que têm que ver com a capacidade de deslocação dos profissionais, servir as populações no raio desse hospital e quais as evoluções demográficas em cada concelho. Reconhece que a solução irá sempre desagradar a alguém, mas, “pelo menos a população da região como um todo tem uma solução”, disse o candidato que tem uma opinião formada sobre a sua localização, mas que não quis divulgar.
Questionado sobre as sondagens, o candidato liberal respondeu ter “alguma literacia numérica” e que não dá nada por adquirido, garantindo que muitas das coisas que estão a acontecer na campanha estão planeadas desde agosto, e que irão continuar assim.