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Um médico das Caldas na Grande Guerra

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Um médico das Caldas na Grande Guerra
Peça do Corpo de Artilharia Pesada Independente, instalada em vagões de caminhos de ferro | D.R.

O tratamento arquivístico e o estudo do espólio do Doutor Fernando da Silva Correia têm permitido elaborar um projecto cada vez mais aliciante (“Um Médico na Grande Guerra. Fernando da Silva Correia”), assim como desenvolver o conhecimento sobre a acção do Corpo de Artilharia Pesada Independente (CAPI) na Grande Guerra, entre 1917 e 1919.
Recentemente, foi possível encontrar novos textos elaborados nas décadas de 1950/1960 e notas coligidas enquanto o jovem médico se encontrava em França. À semelhança doutros momentos da sua vida, a guerra foi um assunto retomado inúmeras vezes pelo Doutor Fernando da Silva Correia, como aliás já tivemos oportunidade de verificar através da menção à notícia “O 9 de Abril após a Guerra”, publicada em 1926 na Gazeta das Caldas. Esta notícia será especialmente importante para conhecer a localização do tenente-médico em Junho de 1918, há precisamente cem anos.

Segundo um manuscrito do Doutor Fernando da Silva Correia, intitulado “A artilharia portuguêsa na Grande Guerra junto do Exército Francês. O C.A.P.I.”, escrito nas Caldas da Rainha a 4 de Novembro de 1961, a 8 de Junho de 1918 o CAPI estava quase a terminar a sua quarta fase de existência. Esta iniciara-se a 10 de Abril (em relação com a fase de reorganização que o próprio Corpo Expedicionário Português viveu na sequência da batalha de La Lys) e terminou a 11 de Junho, altura em que foi “resolvido que o 1º Grupo seguisse o resto do C.A.P.I., indo com ele para Inglaterra”. No entanto, tal nunca se concretizou – o jovem médico, inicialmente pertencente ao 2º Grupo do CAPI terá passado para o 1º, daí que tenha permanecido em França, enquanto o 2º e o 3º Grupos seguiram para Inglaterra.
A quinta fase de existência do CAPI prolonga-se “até que, depois de noticias desencontradas a respeito do seu destino, o Grupo é mandado, com o nome (…) de “Destacamento de Trabalhadores portugueses” para a região de Suippes, em 8 de outubro, onde esteve até o dia do armistício”. Por essa altura, foi recebida uma nova ordem para seguir para Inglaterra, que mais uma vez não se concretizou.
A imagem seleccionada para a notícia de hoje remete-nos para as peças de artilharia utilizadas pelo CAPI e ajuda-nos a perceber a razão para ter sido constituído um “Destacamento de Trabalhadores Portugueses” – o Doutor Fernando da Silva Correia, em 1926, fez menção ao soldado Francisco Sertório do Santos, pertencente a este destacamento. Tal como refere o Tenente-Coronel Pedro Marquês de Sousa (em “A nossa artilharia na Grande Guerra. 1914-1918”), as peças de artilharia do CAPI estavam instaladas em vagões de caminhos-de-ferro, daí que era necessário assegurar o bom estado das linhas férreas para garantir o sucesso das ofensivas desencadeadas. Esta informação explica igualmente a constante presença dos caminhos-de-ferro nas fotografias do jovem médico, sendo ainda de referir que através da correspondência enviada a sua mãe, D. Carlota Filomena da Silva Correia, percebemos que até Fevereiro de 1918, os vários grupos do CAPI estiveram instalados nos seus próprios vagões.

Joana Beato Ribeiro

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