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Um centro comercial a céu aberto e sem carros

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Acaba de ser apresentado publicamente um estudo de mobilidade urbana, elaborado pela ACCCRO, sobre a circulação automóvel na Rua Heróis da Grande Guerra, entre o cruzamento da Rua Coronel Soeiro de Brito e a Rua Emídio Jesus Coelho. Na opinião dos comerciantes inquiridos, a autarquia não deve voltar a fechar o trânsito na referida artéria.

A primeira questão que se coloca é: trata-se mesmo de um estudo sobre mobilidade urbana ou é apenas um inquérito aos comerciantes sobre a circulação automóvel numa determinada rua?

E o público, os clientes, enfim, o que pensam disto a população em geral?

Um verdadeiro estudo sobre mobilidade urbana deve ter como objetivo a procura de soluções para os graves problemas da circulação viária na cidade e não apenas o acesso ao comércio local. A questão de abrir ou não toda a Rua Heróis da Grande Guerra ao trânsito geral não resolve o problema de fundo que é o do atravessamento viário norte-sul da cidade, uma questão verdadeiramente estratégica para o futuro das Caldas da Rainha, merecedora de um verdadeiro programa de regeneração urbana.

Este inquérito levado a cabo pela ACCCRO acaba por ser uma boa maneira da Câmara Municipal fazer como Pilatos, “lavar as mãos” relativamente a uma questão que devia ser corajosamente assumida pelo Município, dentro de uma estratégia urbana que pelos vistos não tem.

Toda a recente “regeneração urbana” aponta para a devolução do coração da cidade aos peões tal como deve ser numa cidade que se quer moderna e evoluída. Afinal para que servem os parques de estacionamento do CCC e agora o da Praça 25 de abril, onde recentemente se gastaram cerca de 4 milhões de euros, se os automobilistas são convidados a seguir em frente ignorando esses mesmos parques?

As dificuldades por que passa o comércio local dependem muito mais de outros fatores (centros de interesses com atratividade, poder de compra, etc.) do que da passagem dos automóveis junto às lojas. Por isso, excetuando o Toma, os veículos de emergência e de recolha do lixo, bem como as operações de carga e descarga com horário restrito, lamento que muitos dos nossos comerciantes, compreensivelmente desesperados com a crise que se nos abateu em cima, não consigam arranjar melhor estratégia do que pedir aos automobilistas para passarem por dentro do que dizem ser um “centro comercial a céu aberto”.

Não seria mais original e interessante concretizar esse conceito de “centro comercial a céu aberto”, criando, por exemplo, um pórtico alegórico à entrada da Rua Heróis da Grande Guerra, o qual serviria para abrir o apetite comercial a quem, de visita às Caldas da Rainha, tivesse logo vontade de largar o carro num dos referidos parques de estacionamento, percorrendo depois calmamente aquela e as outras ruas comerciais adjacentes? Rentabilizavam-se os parques de estacionamento, dava-se mais conforto a quem quisesse fazer compras e melhorava-se o ambiente.

Se não for possível mais do que isso, pelo menos aos sábados de manhã!

 

Edgar Ximenes

 

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