
Outro «ramal» da memória é o do Amor: «Todos nós éramos/ adolescentes consumidos / na lenta combustão do enamoramento / no inesperado ateamento do fogo da paixão / nas serenatas nas tocatinas nas tímidas esperas / nas esquinas dormentes crepitantes de amor / indagando os tormentos tracejados / nas púbis folhosas das namoradas / apressadamente desfloradas / nas pausas imaginadas das aulas de ginástica / perscrutando os mistérios / nos corpos velados das amadas / sofregamente beijadas / nos intervalos das aulas de latim.» Está presente a lição de Breton: «É no amor humano que reside todo o poder de regeneração do Mundo.» Logo a seguir ao Amor, a Poesia surge na página 225: «Lembras-te, Julinho Damas / dos versos sonhadores / do libertário onirismo / dos poetas da Nova Largada / e de outros versados / na arte poética de intervenção social (…)?» Na página 243 o poema recorda nomes de combatentes da terra firme irmã (a Guiné Bissau) como «Jaime Mota, Justino Lopes, Zeca Santos, Rui Djassi, Domingos Ramos, Vitorino Costa e Titina Silá», a mulher-menina chamada «a flor dos tarrafes». Esta memória alargada prova que o livro não se esgota na sua geografia caseira porque a sua casa é todo o Mundo.
(Editora: INCM Lisboa, Prefácio: Elsa Rodrigues dos Santos, Posfácio: Rui Guilherme Silva)