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De Palavra em Riste | Atentado aos Pavilhões!

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De Palavra em Riste | Atentado aos Pavilhões!

Elementar meus caros, diria Sherlock. Sim, trata-se de um atentado iminente e nem é preciso detective para o revelar, dado conhecerem-se, à partida, o perpetrador (a empresa concorrente), a arma do crime (o vil metal), os cúmplices (o Poder Central e a Câmara Municipal) e, sobretudo, a vítima (o valor patrimonial dos Pavilhões), bem como os danos colaterais infligidos à cidade e aos cidadãos.

É um atentado terrorista! Senão vejamos:
Está fora da lei porque, repito, viola frontalmente o Plano Director Municipal (cuja revisão continua suspensa), bem como o disposto na portaria 26/2003 de 11 de Janeiro e no decreto-lei 38/99 de 22 de Setembro, referentes às condições de preservação da exploração de recursos hidrominerais subterrâneos e às restrições de edificação no perímetro de protecção de áreas termais. O projecto apresentado confirma o sentido e a justeza das críticas anteriormente produzidas quanto ao programa de instalação da unidade hoteleira se mostrar demasiado pesado para ser acolhido num complexo com a tipologia arquitectónica dos Pavilhões e daí a necessidade tornada exigência, que agora se constata, de vir ocupar espaço para lá do corpo do edifício. Este alastramento invasivo e de volumetria excessiva pretende incorporar também as instalações da antiga Casa da Cultura, ao articular os dois blocos através de uma construção de raiz, ofendendo assim a relação conceptual de origem com a envolvente natural. Como já tive a oportunidade de aqui sublinhar, tudo isto tem graves implicações patrimoniais num Centro Histórico cujo Plano de Pormenor se continua a aguardar, adensadas pela pretensão de construir uma cave subterrânea de 3 pisos, (sendo dois deles destinados a estacionamento), o que representa uma séria ameaça ambiental em potência, devido ao perigo real de contaminação dos aquíferos. A apropriação para fins exclusivamente privados leva a que o Céu de Vidro, de 1832, cuja origem, como se sabe, remonta ao Passeio da Copa de 1799 e desde aí de uso público, seja cativado para entrada do hotel e que, na prática, desapareça, esmagado por uma ala que o cobre; são eliminadas as entradas para o Parque pelo Largo da Copa e o primeiro portão da rua de Camões é substituído pelo acesso ao estacionamento e à área técnica. Do lado do Parque querem erguer uma verdadeira muralha, sendo certo que já se viram «bunkers» com aspecto mais atractivo. Face a esta manifesta agressão, a Visabeira, que ignorou por completo o estudo prévio de salvaguarda que a Câmara tinha encomendado à A2P, embora forçada a reconhecer o «caracter único e especial» dos Pavilhões e a «forte identidade» de «um conjunto arquitectónico que reúne características ímpares no nosso País», tem o desplante, de, em fuga para a frente e julgando-nos tolos ou cegos, defender que se querem manter «o mais invisíveis possível» com um «mínimo de intervenção». O que se pode observar nos desenhos 3D entretanto publicados demonstra exactamente o contrário! A óbvia urgência de fazer alguma coisa quanto à recuperação do edifício não significa aceitar qualquer coisa, não importando o quê. Daí a necessidade do parecer, obrigatório e vinculativo, da Direcção-Geral do Património Cultural, que aliás ainda não foi solicitado.
Correm rumores sobre a eventual activação de uma concessão de jogo, que, caso não tenham fundamento, deviam ser rapidamente desfeitos pelas entidades envolvidas, dado que o silêncio, nestas circunstâncias, só engrossará suspeitas. Estando pressentida uma imprescindível discussão pública, estes temas podem e devem ser amplamente debatidos e esclarecidos.
Foi anunciado um atentado! Todavia, com a ajuda de todos, ainda estamos a tempo de, na nossa, neste aspecto, tão martirizada cidade, evitar mais um golpe violentamente desfigurador.

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