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Longe da vista, cada vez mais perto do coração

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Longe da vista, cada vez mais perto do coração

Embarga-se-me a voz, toldam-se-me os olhos, aperta-se-me o coração… mas sinto-me impelida a partilhar a força, a coragem, a determinação de alguém que há dez meses (já só faltam dois) deixou para trás a chamada “vida confortável” para se dedicar, de alma e coração, a um tempo de missão, de voluntariado, a um tempo de dedicação, de dádiva permanente e incondicional, desta vez em Angola, mais propriamente em Benguela e mais especificamente num bairro com um nome peculiar e metafórico e homónimo de um dos bonitos bairros de Lisboa, o da Graça.
A Mariana, psicóloga de profissão, missionária de coração, encontrou nos Leigos para o Desenvolvimento (ONG) o pilar que a encaminharia com a segurança necessária para pôr, mais uma vez, ao serviço do outro, do mais vulnerável, do mais fraco, o seu tempo, as suas competências, os saberes das suas três décadas de vida, fazendo bem sem olhar a quem.

Pragmática e humilde, dedicada até à exaustão, coloca na sua ação a sua poesia, o seu sonho, a sua magia e assim, enquanto responsável pelo GAIVA (Gabinete de Inserção na Vida Ativa), desenvolve projetos na área do empreendedorismo e empregabilidade, acompanhando paralelamente o GUV (Grupo de Universitários Voluntários). Dentro deste voluntariado, pratica ainda outro – este ainda mais voluntário – interagindo com as crianças do bairro e, sempre fiel aos seus princípios e aos que elege como os mais vulneráveis ainda, entra até em desespero quando, por algum motivo, não consegue marcar a sua presença junto deles.
Tive a oportunidade de, nas férias da Páscoa, partilhar durante dez dias a sua vida em Benguela e ver como é difícil, aos meus olhos, aquele quotidiano: são as hiaces; as ruas empoeiradas ou enlameadas; as frutas compradas às mamãs que, de bacias à cabeça, palmilham estradas contrabalançadas com os filhos às costas; é o polícia sinaleiro que, com os seus gestos atrapalhados confunde automobilistas e motociclistas; é a linha do caminho-de-ferro transformado em passeio pedestre; é o calor abrasador e parece que agora o frio incomodativo… são as capulanas coloridas que dão mais vida à vida… que marcam o seu novo dia-a-dia mas são essencialmente os afetos, os laços, o respeito, a entrega, o reconhecimento dos jovens e mamãs empreendedores e dos seus meninos de barro que preenchem, na sua plenitude, o dia-a-dia da nossa ‘special one’ e que vão deixar uma saudade imensa difícil de matar. Só voltando lá.

Fernanda Garcia

 

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