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Béltico – O Regresso da Lenda II

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Publicou o Sr. Rogério A. Santos na Gazeta das Caldas de 22 de Junho de 2012, um artigo intitulado “Béltico – O Regresso da Lenda” que foi alvo de aplausos pelo nível do conhecimento demonstrado, não somente da cultura da região, como do estilo utilizado e do apelo lançado “para o despertar de consciências, mentes desta época  e amigos da natureza”.
O seu apelo, pode crer, não foi uma palavra vã. Várias foram as vezes em que fizemos chegar junto das autoridades responsáveis – portuguesas e europeias – informações claras sobre a situação que evoca no seu artigo.
A situação é trágica, dado haver, por um lado, a componente do sector ecológico com as suas inevitáveis consequências, e, por outro lado, o aspeto real da economia mundial, contra o qual, nem presidentes, nem nenhum outro político, poderão lutar. O Mundo mudou radicalmente e os mercados serão absolutamente inflexíveis, uma vez que o turismo de alto luxo acabou em regiões como a nossa, conduzindo, inevitavelmente, como muito bem escreveu, -“dentro em breve ou daqui a alguns anitos talvez, estas estradas de alcatrão estarão cobertas de silvas, abundarão carrascos, aroeiras e outra vegetação, as árvores voltarão a crescer…”.
E nós acrescentamos que nessa altura, não somente os “bichos” poderão voltar, como o Parque de Merendas construído pelo antigo presidente da Câmara e que há cerca de dois meses foi despedaçado pelos “ávidos destruidores de Portugal”, poderá de novo ser erguido e voltar a animar a região com as suas várias centenas de frequentadores na época estival.

PS – No passado sábado, dia 30 de Junho de 2012, pouco depois do meio-dia, dois autocarros cheios de excursionistas pararam no local em que se encontrava o antigo Parque de Merendas. Atónitos, tendo dificuldade em compreender o que se passava, após um período de hesitação, lá seguiram em frente em direção da Aldeia dos Pescadores, onde finalmente se instalaram no largo principal da Aldeia, servindo-se dos grandes bancos como se fossem mesas, uns comendo em pé e outros sentados nas escadas em madeira. Eram mais de 100 pessoas.
Isto, como é fácil de constatar, nada tem a ver com o “turismo de alta qualidade” que certos representantes apregoam, mas é criticável na medida em que nada está previsto para que os naturais do país, cujo poder de compra, certo, não é nada comparável ao daqueles turistas que por aqui aparecem, possam usufruir daquilo que pertence aos portugueses!
Outro triste espetáculo foi o momento em que chegou a hora de frequentar as casas de banho, dado a praia não dispor de WC próprios, como é indispensável numa  praia de turismo de alta qualidade!
Isto, é verdadeiramente o Portugal de hoje!

Francisco da C. Norte
Regina Simões
Ivone Martins
José Carvalho Encarnação

(Membros da Comissão de Moradores)

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