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As eleições autárquicas, verdade e dissimulações

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Em cada eleição autárquica nas Caldas da Rainha participam cerca de 600 cidadãos nas listas dos partidos. E mais recentemente em listas de cidadãos. Estas últimas têm tido uma propagação crescente. Várias das listas independentes que concorrem a estas eleições constituem casos interessantes, baseados numa lógica de inclusão e convergência. São os casos de Braga, Coimbra ou Beja. Mas nem tudo o que brilha é ouro.
Alguns outros movimentos merecem uma atenção mais demorada. Sobretudo para percebermos de que projecto político se trata, se é um tónico para a democracia ou apenas a ambição e oportunismo de alguns. Em alguns casos, aos princípios “apartidários” corresponde um discurso proto-fascista anti-partidário. Sem ideologia nem programas a apresentar, tentando fugir a questões polémicas, assentam a sua narrativa numa superioridade moral: estão isentos do pecado original de pertencerem a partidos. Esta qualidade messiânica vai salvar a sociedade dos “maus políticos” agora substituídos pelos “bons cidadãos”. Mais primário e mais demagógico é difícil. Além de ser uma ofensa aos que alguma vez se envolveram democraticamente num acto eleitoral.
Mas afinal alguns movimentos são apenas “independentistas” (mais oportunistas que independentes): ex-autarcas, antigos militantes e dirigentes partidários que renegam antigas militâncias. Os tais que não tiveram sucesso pela porta dos partidos e querem agora entrar pela janela dos movimentos. Para além do mais, estes movimentos deviam talvez ter cuidado com a sua estrutura fluída e recente que pode implicar uma permeabilidade a oportunistas que aguardam uma boa votação para se insinuarem ao negócio com a autarquia ou ao emprego pós-eleitoral.
Nem todos serão calculistas, nem todos serão ingénuos. Alguns acreditarão no movimento. Alguns dizem que querem quebrar a teia, que os partidos são todos iguais (mas nunca se deram ao trabalho de tentar perceber as diferenças) que a política está pejada de interesses, que os corruptos dominam os aparelhos partidários. Enfim, um quadro aterrador, nada recomendável para o indefeso eleitor. Confundem os corredores do poder, e certas cúpulas partidárias, com a militância honesta e desinteressada. Tomam a parte pelo todo, entrando no registo populista em todas as pessoas que alguma vez se envolveram com partidos, são responsáveis por todo o mal que nos acontece. Como se acabar com os partidos melhorasse as condições de vida. Não é isso que se tem visto com a ditadura austeritária da troika.
Como parte dos arautos esclarecidos desta espécie de Sebastianismo contemporâneo, surge agora, no movimento independentista caldense, uma distinta figura, ex-assessor de Ministro, jornalista e escritor. Alguém que nunca tendo assistido a uma Assembleia Municipal, discorre e comenta o que aí se passa, confundindo poder e oposição, enganando-se frequentemente no sentido de voto dos partidos, não distinguindo maioria de unanimidade, passando informações erradas. Sendo mal-educado para todos os membros da Assembleia, que mal ou bem a fazem funcionar, tantas vezes com sacrifício pessoal, apesar de para este senhor deverem ser todos tratados como políticos profissionais cheios de vícios.
Tudo bem, não fosse a incontornável contradição deste distinto cavalheiro, que agora participa em sessões públicas a convite dos independentistas, ser dos poucos que esteve preso por corrupção, com uma sentença de três anos, no caso da Universidade Moderna, por passar informações privilegiadas à reitoria enquanto assessor do Ministro da Educação. A troco de uma avença mensal que oscilava entre os 1200 e os 1400 euros, conforme noticiava a imprensa à época.
Bem prega frei Tomás… Será que o Dr. Paulo Morais, que veio às Caldas falar de corrupção, gostaria de se ver misturado com este ficcionista de currículo escondido.

Lino Romão

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