
Este livro pode ser lido também como um diário íntimo de alguém que organiza o seu discurso poético num duplo triângulo (Natureza-Palavra-Deus ou Mundo-Poesia-Amor). Nascido em Ponte da Barca, terá vivido em Guimarães e Vila Viçosa; veja-se o poema da página 21: «Nasci e renasci na casa em dia/De Santa Cruz, da Cruz o nome tenho.» Mas viveu também em Sintra, na Serra da Arrábida e em Vale Figueira (Santarém): «Nestes campos do Tejo onde cheguei /Achei graça, bom rosto e gasalhado / Que noutros meus amigos não achei. / E tanto me senti mais obrigado /Quanto mais fraco e enfermo me senti /Sem nunca me sentir desamparado.» No poema da página 107 se percebe melhor essa pessoal cartografia: «Na ribeira do Lima fui nascido /Na do Mondego e Tejo fui criado / E na serra em que vivo envelhecido / Onde esperando estou o desejado / Fim dos meus longos anos mais vizinho /Quanto de cada vez mais alongado.»
(Editora: Licorne, Contracapa: Nuno Matos Duarte, Retrato do autor: João Salvador Martins, Apoios: Diocese de Setúbal, Fundação Oriente, Câmara Municipal de Ponta da Barca, União das Freguesias de Azeitão – São Lourenço e São Simão)