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Água de esgoto usada para lavar ruas

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Pena tenho eu, de não ter dado este título à matéria que me levou a escrever um artigo para este mesmo jornal, em 21 de Outubro de 2013.

Foi este o título do referido artigo: “Que fazer aos esgotos? Tratá-los ou “oferecê-los” aos nossos filhos e netos através do emissário submarino da Foz do Arelho?

E a relação entre eles é simples:

Em Outubro de 2013, criticava a forma “primitiva” e irresponsável como os esgotos da zona oeste são canalizados para longe da vista e do nariz, atirados ao mar para bem longe (e para as gerações futuras), porque não estão em condições de “tratamento” para serem devolvidos à natureza – como se o mar não fizesse parte dessa mesma natureza e importante fonte de alimentos.

No título de hoje, limito-me a reproduzir o título de um artigo da página 25 do primeiro caderno do jornal “Expresso” de 16 de Maio.

E o artigo começa assim: “A água sai da mangueira ligada ao camião com a mesma transparência com que sai da torneira das casas lisboetas. E sem cheiro. Porém, o líquido que agora serve para lavar ruas e regar canteiros na freguesia de Alcântara, em Lisboa, não vem de nenhuma boca-de-incêndio de água potável, mas da vizinha estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Alcântara, gerida pela Simtejo. Temos de ser racionais no uso de recursos e seria um desperdício não reutilizar esta água que iria simplesmente parar ao Tejo…e as pessoas nem notam que vem do esgoto…O valor estimado de poupança ronda os 8 milo euros por ano… Os principais eixos da cidade de Lisboa, como a Avenida da Liberdade ou o bairro de Chelas também são lavados com água de esgoto reciclada, há uns anos por iniciativa da Câmara.

Quando em 2013 questionava a falsa “solução” encontrada pelos nossos mui dignos governantes locais e não só, comparava-a com o que acontece nos concelhos do interior sem mar e nos países do centro da Europa. Mas sinceramente, não me lembrei do exemplo de Lisboa, onde a água é tratada a ponto de poder ser reutilizada pela autarquia (naturalmente com os cuidados inerentes a uma água não potável), ou devolvida ao rio Tejo sem agredir o meio ambiente.

Voltei ao assunto porque encontrei um exemplo que merece ser divulgado. É bom que se saiba, que não é uma inevitabilidade ter que “esconder o lixo debaixo do tapete”.

Apelo aos jovens para que ouçam o que o Papa Francisco disse num encontro alargado com muitos jovens desiludidos com os políticos em geral, sobre a sua participação na vida política: interessem-se e dêem o exemplo. Não desistam e procurem sempre o bem comum não fazendo da política propriamente uma “profissão”.

Pode ser que assim um dia as coisas mudem. Confiemos!

 

Carlos Mendonça

 

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