

Tudo isso parece normal, mas não devia ser. E muitos erros repetidos não desculpam mais um erro. O último foi o da Dra. Maria Luís Albuquerque, a quem a empresa financeira britânica Arrow Global contratou tendo em conta que desempenhou cargos de topo no Ministério das Finanças e do Tesouro público português (como a própria empresa assumiu em comunicado).
A ex-ministra das Finanças vai agora para o outro lado da barricada trabalhar numa empresa que tem como clientes em Portugal o Santander, o BCP e o… Banif.
E como se não bastasse, a nova directora não executiva da Arrow Global vai continuar no Parlamento, supostamente a representar os interesses do povo português.
À mulher de César não lhe basta ser séria. Tem de parecê-lo. Mas parece que a Dra. Maria Luís Albuquerque não está muito preocupada com isso. A ex-ministra não vê nenhum conflito de interesses entre estes dois cargos nem lhe parece anormal ser contratada por uma empresa de gestão de crédito mal parado poucos meses depois de sair do governo, no qual, repita-se, tratou de dossiers tão importantes como o dos bancos que agora são “seus” clientes.
Zé Povinho acha que para casos destes deveria haver um período de nojo. Não o havendo, é compreensível que emirja um outro tipo de nojo.