António José Correia
Ex-Autarca
Escrevo esta crónica de janeiro fora do país, mas com o pensamento bem ancorado no nosso território. Encontro-me em Düsseldorf, na Alemanha, a participar na BOOT Düsseldorf, uma das maiores feiras náuticas do mundo e um espaço privilegiado para observar tendências da indústria náutica, do turismo ativo e dos desportos ligados à água.
A BOOT é hoje muito mais do que uma montra de embarcações. É um verdadeiro observatório de futuro, onde se cruzam inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental, novos materiais, transição energética e experiências turísticas cada vez mais qualificadas. O setor do mergulho tem aqui uma expressão particularmente relevante, refletindo uma crescente preocupação com a conservação marinha, a segurança e a valorização responsável dos ecossistemas subaquáticos.
Enquanto membro da coordenação da Rede das Estações Náuticas de Portugal e do Fórum Oceano, esta presença integra um esforço claro de internacionalização do turismo náutico português. A edição deste ano assinala a maior participação de sempre da Rede, com o stand “Water Fun in Portugal by Nautical Portugal” a funcionar como ponto de encontro entre territórios, empresários e parceiros internacionais. Esta promoção é reforçada pela plataforma online www.nauticalportugal.com, que agrega e projeta a oferta náutica integrada de Portugal continental junto dos mercados externos.
O Oeste marca também presença neste contexto internacional. A Estação Náutica do Oeste, coordenada pela CIM Oeste, afirma-se como um território que trabalha o Mar de forma estruturada, cooperativa e complementar. O mergulho é um dos segmentos estratégicos da região, com particular destaque para o arquipélago das Berlengas, Reserva da Biosfera da UNESCO, um ativo natural de elevado valor ambiental, científico e turístico.
No stand, um ecrã apresenta continuamente imagens de atividades e projetos das várias Estações Náuticas. No caso do Oeste, merece destaque o projeto de piscina de ondas “SURFERS COVE”, atualmente em construção no concelho de Óbidos, com previsão de entrada em funcionamento até ao final do ano. Mais do que um novo equipamento desportivo, trata-se de um projeto estruturante que alia desporto, turismo e inovação, contribuindo para reduzir a pressão sobre os ecossistemas costeiros e para atenuar a sazonalidade da atividade turística.
O primeiro dia da feira contou ainda com a presença do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, que participou na inauguração oficial do evento, visitou o stand nacional e contactou diretamente com empresários e projetos da Rede, sublinhando a importância da articulação entre políticas públicas, territórios e iniciativa privada.
Começar 2026 assim — com Portugal e o Oeste representados numa das maiores montras internacionais da náutica — confirma que o Mar continua a ser o nosso ponto de partida, mas também um horizonte estratégico para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.
Bom ano. E, sem qualquer dúvida, com o Mar será sempre melhor!