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Crónicas de Bem Fazer e de Mal Dizer – LVIX

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Crónicas de Bem Fazer e de Mal Dizer – LVIX
Isabel Castanheira

UM BORDALO FININHO

Gazeta das Caldas“A Comédia Ilustrada, Revista Semanal”, publicada no Porto nos anos de 1892 e 1893, impressa na Litografia Peninsular, é uma revista de modesto aspeto, com o formato de 15×11,5 cms, com 16 páginas mais capas, sendo esta em papel de cor.

Totalmente impressa a preto, altera páginas de texto e de ilustração, e o Nr.º 2, datado de 27 de Dezembro de 1891, logo na primeira página oferece-nos uma ilustração representando Rafael Bordalo Pinheiro, da autoria de A. Gonçalves.

 

Seja-nos permitida fazer uma avaliação desapaixonada desta caricatura; não nos restam dúvidas de que se trata de Rafael Bordalo Pinheiro. Cabelo basto e encaracolado, vidro no olho, bigode frondoso, caneta e pincel empunhado como se de uma arma se trata-se. Desde já duvido da compleição física retratada; nesta altura da sua vida, Rafael era mais ”cheiinho, mas certamente era intensão do autor representar o Mestre com uma elegância sedutora. Mas então o que acho eu que falta nesta caricatura? A “joie de vivre “ que era uma caraterística inalienável deste homem amante da vida.

Os seus olhos não transmitem a vivacidade e a curiosidade que lhe era natural, antes se fixam mortiços e desinteressados.

Mas nem todos os caricaturistas podem ser um Bordalo. Resta a boa intensão de homenagear o mais importante e influente caricaturista à época.

Na página final desta preciosa “A Comédia Ilustrada”, é-nos oferecido um “Enigma Pitoresco”, onde surge uma sequencial transformação das faces de várias personagens, começando por Bordalo e passando por um Zé Povinho. Se compararmos estas imagens de Bordalo com a da 1.ª página, deparamos com uma grande diferença. Na primeira página Rafael, tem o óculo no seu olho esquerdo: nesta última página tem-lo no seu olho direito.
Então o que se passa? Bordalo já tinha tantos problemas que visão, que nem sabia de que olho via menos? Ou a utilização do óculo era um pormenor que conferia ao cavalheiro um toque de elegância?

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