Ainda é possível recuperar o tempo perdido

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Ainda é possível recuperar o tempo perdido
Carlos Matos

A utilização de máscaras enquanto medida preventiva no combate à pandemia da Covid-19 é absolutamente determinante como hoje todos reconhecem. Infelizmente o governo acordou tarde, muito tarde para o problema, perdendo mais de dois meses, período em que andou cego, sem ousadia nem ambição, em sentido contrário a muitos especialistas, incluindo a própria Ordem dos Médicos.
A falta de visão dos políticos já custou milhões aos portugueses, em pagamento de subsídios de desemprego e no custo resultante do encerramento temporário – em alguns casos definitivo – de dezenas de empresas do sector têxtil e outras áreas empresariais.
Quando já não podiam mais negar as evidências arrancou finalmente a transformação das linhas de produção de empresas têxteis, que irão agora fabricar milhões de máscaras para o mercado nacional e para exportação.
É necessário recuperar o tempo perdido, para isso o governo deve chamar os seus ministros mais influentes e agir em todas as frentes. É urgente certificar o produto em todos os mercados internacionais, usar os canais diplomáticos para vender as máscaras portuguesas e reconverter toda uma indústria estagnada com a pandemia. As coleções de roupa não se venderam nem irão ser vendidas tão cedo. O fabrico de máscaras é uma grande alternativa, tanto mais valiosa quanto estiver associada a uma diplomacia de bem fazer, alinhada com a urgência de salvar vidas.
O que se aplica às máscaras pode ser replicado no fabrico de viseiras de plásticos, animando as empresas de moldes e de plásticos, sectores excessivamente dependentes de um mercado automóvel em estagnação. Com a pandemia, toda a fileira de material de proteção tem um enorme potencial de crescimento, como é o caso de vestuário para os profissionais de saúde.
Esta é uma corrida contra o tempo. Não pode ser uma preocupação apenas do ministro da economia, tem de ser um desígnio nacional, mobilizar todo o governo e as organizações que apoiam e promovem a indústria portuguesa. Em poucos meses, Portugal pode reconfigurar os seus sectores produtivos, contrariar a crise com a especialização em novas áreas e com os seus produtos de qualidade ajudar o mundo a vencer o maior desafio deste século.
Esta crise aponta um caminho claro: é preciso apostar nos produtos portugueses, da agricultura às pescas, da indústria ao comércio e serviços, temos que ter mais ambição. Não estamos condenados a entrar em recessão, não teremos necessariamente de voltar atrás.
Se tudo continuar na mesma, depois de andarmos a comprar tudo o que é material de proteção e tratamento contra a pandemia aos chineses, se não mudarmos de vida, só nos resta abrir os braços e esperar que eles queiram tomar conta das nossas empresas por tuta-e-meia.
Eu não quero isso para o meu país. Ainda vale a pena recuperar o tempo perdido. As lições da história dizem que quem sobrevive num mundo em mudança não é o mais forte mas sim quem melhor se adapta às novas realidades.

Carlos de Matos
Presidente do Conselho Fiscal

da Cooperativa Editorial Caldense

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