
O delírio de Inácio vai ao ponto de chamar «reviralhista» a Afonso Duarte e «comunista» a Joaquim Veríssimo Serrão: «… dentro da Universidade e em grupos desafectos foi bastantes vezes notada a propaganda que o SERRÂO fazia, sendo notória a sua acção avançada» O uso de certas palavras (seita, perlenga) denota não só agressividade mas também ignorância: «O alferes Rosa Neto tinha em seu poder vária papelada e até jornais da Seara Nova». Noutro passo refere o Ateneu de Coimbra: «São maus e rancorosos. É um agrupamento que, num caso de conflito interno, vem imediatamente para a rua, constituindo brigadas de choque.» Para além de propor o encerramento de Clubes e Associações, Inácio critica a pouca firmeza das autoridades: «Como é sabido não se efectuaram prisões por causa dos desmandos efectuados e agora os homens do MUD e comunistas andam a apregoar que se o não fizeram é derivante da fraqueza do Governo que se vê num beco sem saída e até sem prestígio. O tempo do papão e do Tarrafal já passou, dizem.» O Clube fechado em Pereira do Campo vai renascer sob o patrocínio da FNAT: «O estudante Luís Mexia, sobrinho do Dr. Mário de Figueiredo, que eles colocaram à frente, é um pateta mor, sem personalidade alguma. É comido e levado com facilidade por tal «malta» que o tem ali apenas como rótulo. É com estas habilidades que o comunismo vai alastrando e aparece em todos os sectores.»
(Editora: Palimage, Foto da Capa: Maria João Reis Torgal, Colecção: Raiz do Tempo, Apresentação: Luís Reis Torgal)