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Caldas regressa às vitórias e garante ponto extra para a segunda fase

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Caldas regressa às vitórias e garante ponto extra para a segunda fase

Na estreia do treinador João Aguiar os pelicanos bateram a Académica (1-0) e voltaram às vitórias, com um golo de Januário

Três meses depois, o Campo da Mata voltou a sorrir. O Caldas regressou às vitórias ao bater a Académica por 1-0, travando uma equipa que não perdia desde outubro e, ao mesmo tempo, estancando a própria hemorragia de resultados. Na estreia de João Aguiar, foi um triunfo de resistência, crença e, acima de tudo, de eficácia no momento certo. 

A entrada foi dividida. Logo aos 7’, Marcos Paulo, na sequência de canto, cabeceou ao lado, e aos 10’ respondeu o Caldas, com Tarzan combinou com Januário à entrada da área e atirou com perigo, mas para fora. O jogo tinha ritmo, mas também alguma ansiedade, sobretudo do lado Caldas. Zé Gata, lançado por Pipo aos 15’, hesitou perante três defesas e perdeu o timing do remate, espelho de uma equipa que queria muito, mas ainda tinha a capacidade de decisão toldada pela ansiedade. 

A Académica respondia, sobretudo a explorar a profundidade e bolas na área, mas sem criar verdadeiro pânico junto de Wilson. Do outro lado, o Caldas insistia. Gonçalo Barreiras (19’) ainda tentou criar espaço na área, mas a defesa cortou para canto, e aos 23’ nova indecisão, com Zé Gata e Barreiras a deixarem fugir mais um lance prometedor. Pelo meio, a lesão de Pipo (25’) obrigou João Aguiar a uma primeira mexida na equipa, colocando em campo Filipe Oliveira. 

O jogo parecia caminhar para o intervalo sem golos, até que apareceu o momento-chave. Aos 42’, Zé Gata recuperou a bola no meio-campo ofensivo, combinou com Clemente e arrancou pelo corredor central. Tabelou com Tarzan, viu Nuno Macedo negar-lhe o golo, mas na recarga Januário surgiu pela direita a encher o pé para o 1-0. 

A segunda parte trouxe uma Académica mais mandona. Logo aos 46’, Edson Farias serviu Marcos Paulo, que falhou o remate, e entre os 53’ e os 64’ os estudantes empurraram o Caldas para trás. Leandro, Marcos Paulo e Edson Farias tentaram, mas a organização defensiva alvinegra e a segurança de Wilson foram travão. 

Com o passar dos minutos, as substituições deram novo fôlego ao Caldas, que conseguiu sacudir a pressão e voltar a chegar à frente, como aos 82’, num cruzamento de Farinha para Chaves disparar por cima. O Caldas ainda teve o coração nas mãos aos 84’, quando Beni atirou de primeira e a bola raspou na barra, na ressaca de um canto, mas o último terço visitante foi mais de presença do que de definição e o Caldas aguentou mesmo uma vitória importante sobretudo por descarregar a tensão acumulada em oito longos jogos. 

O Caldas termina a primeira fase com 21 pontos, no oitavo lugar, e leva quatro pontos para a segunda fase, na qual vai medir forças com Atlético, Lusitano, Amora, 1.º Dezembro e Sp. Covilhã. A Académica já estava confirmada no apuramento de campeão, juntamente com Belenenses, Mafra e U. Santarém e os quatro primeiros da série A, que só ficará definida amanhã.

No segundo tempo, a Académica tentou tudo para reverter o resultado negativo, mas a desinspiração dos seus atacantes e algumas defesas do guardião Wilson não permitiram que o conjunto de Coimbra tivesse sucesso. Logo aos 46′, Marcos Paulo errou o alvo por pouco; aos 64′, Edson Farias obrigou Wilson Soares a uma defesa difícil; aos 72′ e 85′, o francês Béni disparou forte de fora da área, contudo a bola saiu a rasar a barra da baliza do Caldas. 

Com este triunfo, o Caldas voltou a vencer, depois de oito derrotas consecutivas e terminou no oitavo lugar, com 21 pontos, enquanto a Académica apurou-se para a fase de subida, na terceira posição, com 28.

FICHA DE JOGO

CALDAS SC 1-0 OAF ACADÉMICA (1-0 ao intervalo)
Árbitro: João Soares
Árbitros assistentes: Mitchell Galvão e Bruno Costa 
Quarto árbitro: Rafael Marques

CALDAS: Wilson Soares; Zé Ricardo, Duarte Maneta, Rui Carreira e Diogo Clemente (cap.); Matheus Palmério, Nuno Januário (David Lopes, 58′) e Pipo (Filipe Oliveira, 26′); Gonçalo Barreiras (Gonçalo Chaves, 58′), Zé Gata (Luís Farinha, 58′) e João Rodrigues (cap.) (Tiago Catarino, 94′).
Suplentes não utilizados: Duarte Almeida, Ricardo Alexandre, Guilherme Lopes e Dani Fernandes.
Treinador: João Aguiar

ACADÉMICA: Nuno Macedo; Jorge Karseladze, Guilherme Silva (Marco Baixinho, 46′), Ricardo Teixeira e Tiago André (Edson Farias, 46′); Marcos Paulo, Leandro Silva (cap.) e Sinisterra (António Xavier, 70′); Candeias (Nuno Barbosa, 78′), Béni e Camilo Triana (Cuba, 58′).
Suplentes não utilizados: Carlos Alves, Nuno Pereira, Gabi e Tiago Soares.
Treinador: António Barbosa
Disciplina: cartão amarelo para Tiago André (34′)

Golos: 1-0 por Nuno Januário (42′)

João Aguiar: “Esta vitória não é minha, é dos jogadores, é da equipa técnica anterior”

João Aguiar destacou que a vitória surgiu como consequência direta do trabalho da semana, num momento em que a prioridade foi recuperar a equipa do ponto de vista emocional e competitivo. “Durante a semana não nos focámos muito no resultado, focámos mais em trabalhar, em recuperar uma equipa que vinha de um momento difícil, e sabíamos que o resultado iria ser a consequência disso”, afirmou, sublinhando ainda a importância do apoio nas bancadas: “Os adeptos que aqui estiveram, mesmo com este frio e com esta chuva, foram importantíssimos.”

O treinador revelou que uma das chaves estava na solidez defensiva: “Falámos no início do jogo que a baliza a zero seria muito importante para inverter o ciclo.” No final, fez questão de repartir — e até recusar — os méritos: “Esta vitória é dos jogadores, é da equipa técnica anterior que cá estava também. Não é minha, é deles.”

João Aguiar pediu alegria e orgulho como ponto de partida: “A única coisa que eu pedi foi que tivessem alegria e que os adeptos saíssem orgulhosos.” Adicionando depois exigência e identidade: “Os jogadores têm que acreditar, mas também ter muita exigência com eles próprios. O Caldas, no seu global, tem que ter exigência”, disse.

Para o técnico, ganhar ajuda a consolidar ideias: “É diferente dizer durante a semana o que temos de fazer e depois perder, do que ganhar.” Ainda assim, deixou um aviso: “Vamos ganhar sempre? Não vamos. Mas se trabalharmos desta forma, vai ser muito difícil ganhar ao Caldas.”

Uma das novidades neste encontro foi o regresso de Militão ao banco, agora como parte da estruturta diretiva. João Aguiar diz que o ex-capitão “é uma referência do clube… vai ser muito importante”, sem esquecer a restante estrutura: “Há todo um trabalho por trás, essas pessoas são muito importantes para o clube.”

António Barbosa: “nunca criámos realmente muito perigo”

António Barbosa reconheceu que a Académica entrou bem, mas acabou por se expor. “Fomos concedendo e cometendo alguns erros, foram dando alguma confiança ao adversário”, afirmou, apontando falhas defensivas no lance decisivo: “Num lance em que desbloqueámos com alguma facilidade o nosso setor defensivo, eles conseguiram aproveitar e chegar ao golo da vitória.”

O técnico admitiu dificuldades na definição ofensiva: “Apesar de termos ascendente, nunca criámos realmente muito perigo.” E reforçou: “Entrar em zona de finalização criámos algumas, mas podemos tirar melhor proveito dessas situações.” Para Barbosa, faltou agressividade: “Não fomos contundentes e suficientemente agressivos no último terço para ganhar.”

Ainda assim, deixou uma mensagem de reação: “Temos de continuar, puxar para aquilo que temos feito de bom”, garantindo foco já no que aí vem.

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