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Vasco Trancoso lança série de retratos sobre vendedores da Praça da Fruta

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Vasco Trancoso lança série de retratos sobre vendedores da Praça da Fruta

111111---Cores-e-SaboresNuma inédita iniciativa ligada ao 90º aniversário da Gazeta das Caldas e o clínico caldense e fotógrafo amador, Vasco Trancoso, este jornal irá publicar ao longo das próximas 25 semanas uma fotografia artística em cada edição de um vendedor da Praça da Fruta, sob o título “As pessas valem muito”.
Recorde-se que assim tentaremos ilustrar e dignificar aqueles vendedores, que fazem História e são história da cidade, num local de eleição e que marca a vida das Caldas da Rainha há mais de dois séculos.
São estas mulheres e estes homens, uns com mais idade e outros já mais jovens, que emprestam áquele espaço uma força que o mantém perene e é um dos ex libris mais interessantes da cidade.
Recorde-se que, por várias vezes, se discutiu a viabilidade de uma praça ao ar livre e por diversas vezes a sua substituição com a construção de um mercado fechado. Só nas colunas da Gazeta das Caldas ao longo dos últimos 90 anos há testemunhos dessas polémicas e discussões.
Estas tiveram um momento alto em 1955 no mandato de um autarca emprestado à cidade com origem na cidade de Leiria – D. Fernando Pais de Almeida Silva -, e que fez aprovar um plano de urbanização que acabava com o mercado na Praça da República para o construir noutro ponto da cidade.
Na época os caldenses levantaram-se, encabeçados pelo jornalista Luís Teixeira, que fez publicar na Gazeta de 2 de Fevereiro um manifesto indignado intitulado “O Mercado Fechado – “Melhoramento” Desnecessário”.
Nos números seguintes repetiram-se as tomadas de posição de inúmeros caldenses e amigos das Caldas, favoráveis à manutenção do mercado aberto na Praça da República, com algumas excepções que se pronunciavam favoravelmente ao novo mercado.
Na edição de 15 de Março de 1955 é publicado uma declaração de apoio ao artigo de Luís Teixeira que junta centenas de assinaturas, onde podemos encontrar também figuras gradas da vida nacional, como empresários, industriais e funcionários e simples cidadãos locais. Entre os ilustres nacionais podiam-se encontrar o arquitecto Raul Lino, os escritores Aquilino Ribeiro e Ramada Curto, o professor Varela Cid, Maria Cristina Bordalo Pinheiro, Virginia Bordalo Pinheiro Lopes de Mendonça, Robles Monteiro, Amelia Rey Colaço, Redondo Junior, a condessa e o marquês de Rio Maior, Leonel Sotto Mayor (director da Escola Industrial e Comercial), o médico Neto Rebelo, o advogado Francisco Calheiros Viegas, etc.
O nosso reconhecimento a Vasco Trancoso pelo seu trabalho que certamente irá empolgar os retratados bem como os frequentadores do mercado diário e os caldenses que são fiéis ao mesmo.   JLAS

 

As pessoas valem muito

O Mercado das Caldas realizava-se inicialmente no Largo da Copa em frente ao Hospital Termal e passou, durante o século XVIII, para o local onde se realiza actualmente (então Praça Nova). Em 1886-7 passou a ser denominada de D. Maria para, após o 5 de Outubro de 1910, ficar definitivamente: da República. Sobre este empedrado construído, em 1883, com o contributo (2 contos de réis) do proprietário Faustino da Gama e consoante projecto de Celestiano Rosa, continua a realizar-se diariamente e tal como no início – a céu aberto, o famoso Mercado da Fruta das Caldas da Rainha.
Tem surgido periodicamente, desde o início do século XX, a polémica de o substituir por um Mercado Fechado, com os argumentos da maior ou menor facilidade na higienização da praça, de se pagar o imposto de Terrado, ou de uma eventual vocação para Passeio Público. Felizmente tem-se mantido a tradição em que a cobertura é o céu. Este facto é uma mais-valia porque dá uma beleza e colorido próprio aos vegetais (julgo que as cores serão mais vibrantes devido a serem iluminadas pela luz directa do sol – com uma temperatura de cor mais elevada do que a proveniente de luz artificial), tal como defendia, em 1926, Luis Teixeira nas páginas da Gazeta das Caldas, com receio que se tornasse igual a tantas outras encerradas em edifícios construídos para o efeito. Será desejável que a Praça assim se mantenha e que continuemos a caminhar sobre as estrelas do seu empedrado – mas debaixo da abóbada celeste.
Mas este Mercado agora remodelado não se faz apenas com o empedrado do tabuleiro, com o colorido das tendas e com a pontualidade e originalidade do céu aberto. Faz-se também com as Pessoas. Uma das suas características e atractivos essenciais foi sempre a possibilidade de aquisição de produtos hortícolas mais frescos, mais baratos e directamente ao produtor. Os agricultores que vendem os seus produtos (agora também está representada a agricultura biológica) são um “capital” humano que contribui diariamente para a manutenção da personalidade própria de uma Praça – através de uma das suas características essenciais – diferente de todas as outras do País. Apesar de despontarem – felizmente – aqui e acolá jovens agricultores, muitos dos (das) vendedoras são quase nonagenários. Em consequência, o futuro (próximo) da Praça da Fruta passará, também, por um necessário refrescamento de vendedores/produtores da região. E o investimento nas Pessoas que lá trabalham poderá beneficiar da criação de incentivos exclusivos: para os produtores que vêm vender directamente na Praça e ainda para a agricultura biológica, recrutando assim novas gerações de agricultores que continuem a assegurar a viabilidade futura da tradição da Praça e que continuem o bom exemplo daqueles que os precederam.
Em consequência desta reflexão temos vindo a realizar uma recolha fotográfica, que a Gazeta das Caldas irá publicar semanalmente, sobre os vendedores da Praça da Fruta das Caldas da Rainha.
Optámos pelo retrato de grande plano – sempre colhido em pleno Mercado e sem recurso a luz artificial – porque se trata, fundamentalmente, de uma merecida homenagem às pessoas que nele trabalham.

Vasco Trancoso

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