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Roberto Saraiva é autor de livro sobre Angola

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Roberto Saraiva é autor de livro sobre Angola
O autor caldense tem uma obra dedicada à guerra em Angola, onde propõe que se reflita sobre a descolonização

Jovem caldense premiado tem novo livro sobre Angola já à venda na sua terra natal

Roberto Saraiva, 25 anos, é o autor de “O Casamento da Filha do Nogueira”, livro que está à venda no espaço Narrador desde terça-feira, 11 de novembro. A data foi escolhida pois refere-se ao dia em que Angola se tornou independente”, disse o autor à Gazeta das Caldas. A obra começa por descrever os ataques que aconteceram a partir de 15 de março de 1961, pela União dos Povos de Angola (UPA), liderada por Holden Roberto. As forças atacaram as fazendas de colonos portugueses no Norte de Angola,com o epicentro da ofensiva foi a cidade de Carmona, agora Uíge. A área, conhecida pela produção do café, possuía muitas fazendas, que foram o alvo dos revoltosos. A ofensiva levou à conquista da região dos Dembos e ao início de um ciclo de violência, tendo-se vivido meses marcados por massacres e ataques indiscriminados às populações indefesas.

O nome de código utilizado pela UPA para os ataques do dia 15 de março foi “O Casamento da Filha do Nogueira”, “e esse é um elemento essencial para a construção da narrativa do romance”, disse o autor.

A obra tem como ponto de partida este matrimónio fictício, em que a Filha do Nogueira se torna numa personagem real que ambiciona encontrar o noivo, “convencida que o código criado pela UPA é real”.

O romance, escrito entre 2019 e 2021, mistura realidade e fantasia, a filha do Senhor Nogueira é acompanhada pela mãe, que lhe coloca uma venda e cega-a, na tentativa de proteger a infância e a ingenuidade, de forma a evitar que a filha sofra com os horrores da guerra. A obra pretende uma reflexão sobre a descolonização e sobre a cegueira, a incapacidade de ver que os países africanos não eram províncias ultramarinas. Para o autor, falta fazer o debate aprofundado sobre a descolonização “envolvendo quem veio para cá e para quem ficou lá também”. Segundo o autor, esta obra, que é uma edição de autor, é feito também “em homenagem às mulheres africanas que tudo fizeram para proteger os seus filhos durante a guerra colonial”. Roberto Saraiva estudou na Bordalo Pinheiro, formou-se em Direito no Porto e fez o mestrado em Direito Internacional em Coimbra. Ainda frequentava o ensino secundário quando se sagrou vencedor de um prémio da Fundação Saramago. A distinção foi entregue ao autor pelo Presidente da República, em Coimbra. O interesse pela literatura tem-se mantido e mesmo enquanto estudante universitário, Roberto Saraiva sempre escreveu. O seu mestrado, aliás, reflete sobre o Direito Internacional e a Literatura.

Roberto Saraiva- que tanto aprecia Saramago como António Lobo Antunes – já venceu um prémio de ensaio, foi finalista da Mostra de Jovens Criadores. Roberto Saraiva gostava de seguir carreira em Diplomacia.

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