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Moita Flores apresentou nas Caldas “Mataram o Sidónio!”

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Moita Flores apresentou nas Caldas “Mataram o Sidónio!”

“Mataram o Sidónio!”, a expressão ouviu-se pela primeira vez há 91 anos, na estação do Rossio. Hoje é o escritor Francisco Moita Flores que lhe dá vida, no seu último romance sobre o mistério do assassinato do Presidente-Rei. Para assinalar o regresso de Moita Flores aos livros, a Bertrand, nas Caldas, foi a contemplada com uma sessão de autógrafos do escritor (e também presidente da Câmara de Santarém), no último sábado, 10 de Julho.
O romance de 300 páginas é um retrato fiel (típico de investigação) sobre todos os procedimentos médico-legais, policiais e até jornalísticos, utilizados no caso da morte do quarto Presidente da I República.
Relembrar Sidónio Pais poderia ser uma forma de assinalar o centenário da República portuguesa, mesmo que, neste caso, se tratasse de recordar um dos mais polémicos chefes de Estado. Mas segundo Francisco Moita Flores, a sua vontade de “falar” sobre este caso já remonta aos tempos da universidade. “Há muito tempo que andava de volta com o Sidónio, mas só agora tive realmente vontade de escrevê-lo”, disse o autor à Gazeta das Caldas. A razão da escolha foi simples: “é uma personagem contraditória e com uma história profundamente exaltante do ponto de vista da investigação criminal. Aliás, é ele que cria a Polícia de Investigação Criminal, num ano terrível para Portugal”, contou o escritor.
O “ano terrível” (1918) a que Francisco Moita Flores referiu é aquele em que a pneumónica (ou a espanhola, como é descrita no livro) alastra pelo país. Esta epidemia, o fim da Primeira Guerra Mundial, a crise económica são outros episódios que o escritor quis retratar, e que abriram caminho para que a ditadura do Estado Novo viesse a instalar-se pouco anos depois.
À margem do retrato catastrófico que Portugal se encontrava no início do século XX, o romance tem algumas críticas indirectas ao trabalho da polícia municipal (que prendeu um suspeito do crime, que posteriormente foi condenado sem nunca ter ido a julgamento) e jornalistas de então.
“Aquilo que é a prova real ou cientifica muitas vezes destrói as versões epidérmicas, ou seja, tornam-se leituras superficiais dos acontecimentos. Já os dois jornalistas [que assistiram ao assassinato] eram duas pessoas independentes que não estavam comprometidas e apenas queriam vender as notícias. Viram efectivamente dois ferimentos no peito do Sidónio, mas o resto foi tudo fruto da imaginação”, disse.
Com todas as incoerências da morte de Sidónio, será que foi a História que quis apagá-lo? Moita Flores resume-o apenas como “o mais mítico” de todos os Presidentes da República portuguesa. “Um republicano que nunca se encontrou com a República, mas também não se encontrava com os monárquicos. A tomada do poder foi pela força, contrária à da República, mas ele chama-lhe a República Nova. E a morte dele é o princípio do fim da República. Foi um homem que dissipou relações que haviam de maior tensão entre a Igreja e a República”, respondeu o escritor. Ou seja, um misto de contradições.
Fora dos romances históricos, Francisco Moita Flores está a terminar um livro com quatro contos infantis para sair ainda neste Natal.

Tânia Marques

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