Início Cultura Liberta é um espaço para as mulheres debaterem e para darem a conhecer obras

Liberta é um espaço para as mulheres debaterem e para darem a conhecer obras

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A Liberta fica na Travessa Cova da Onça e é um espaço dedicado à fotografia e ao design e quer dar a conhecer o trabalho de autoras de diversas áreas

Duas brasileiras, Carla Froger e Juliana Bittencourt, estão a desenvolver o projeto Liberta, na Travessa da Cova da Onça, onde a fotografia e o design se cruzam com o feminismo.
Carla Froger, mais conhecida por Cacau, é a fotógrafa responsável pelo ateliê de fotografia. Trabalhava em fotografia de casamento no Brasil, mas veio viver para as Caldas com a família. “Para mim fotografia é história”, garante a autora, que hoje se dedica sobretudo à fotografia de família. O marido trabalha em Engenharia Informática e trabalha a partir de casa, enquanto Cacau dá toda a atenção que pode à filha, de 3 anos.
Já a microbiologista Juliana Bittencourt trabalha com o marido na empresa de design “3Ferrets” Quando chegaram às Caldas, em 2017, trabalhavam à distância para clientes brasileiros, mas, agora já têm novos clientes, do lado de cá do Atlântico.
A paulista trabalhou na área de eventos, moda e em marcas de cosméticos mas, hoje em dia, dedica-se ao design, criando iniciativas sobretudo voltadas para destacar o trabalho das autoras e artistas.
Uma das preocupações da brasileira está relacionada com a sustentabilidade e até criou uma marca “Lavou tá novo”, que se dedica à roupa em segunda mão, fazendo ainda palestras e conversas sobre o guarda-roupa cápsula, o minimalismo e as novas tendências sustentáveis.
A promoção do trabalho das mulheres é algo que interessa às duas responsáveis, que querem apostar forte na apresentação do trabalho de outras artistas.
“Queremos mostrar trabalhos feitos por autoras oferecendo-lhes esta vitrine e permitindo vender aqui os produtos”, contam as amigas, que têm uma exposição de Aisha, autora que faz produtos “encadernados” com tecidos africanos.
O Liberta pretende ser um espaço de liberdade para as autoras e contará com ciclos de exposições. Mas também se poderá transformar num espaço para degustação ou de preparação e prova de cocktails. “Aqui, tudo feito por mulheres”, asseguram as defensoras do “empoderamento” feminino e que pretendem dar palco a autoras que tenham vontade de dar a conhecer o seu trabalho.
Pretendem, também, criar ciclos de conversa sobre debates que podem ir desde a política à sexualidade. “Ambicionamos uma troca de ideias entre mulheres, livres de preconceitos”, comentaram as responsáveis, para quem o feminismo representa uma luta de igualdade de direitos “que quer dar voz e as mesmas condições de acesso às mulheres aos mais diversos setores de atividade na sociedade”. E para tal basta pensar que não era permitido às mulheres votar, foi preciso lutar para conquistar esse direito.

Espaço servirá para exposições, filmes e conversas

Cacau e Juliana Bittencourt deixaram-se surpreender pela quantidade de autoras e artistas que trabalham na região, desde tatuadoras ou outras que se dedicam à conservação e restauro. Têm até a ideia de embelezar a rua onde fica a Liberta com trabalhos de arte urbana feitos apenas por mulheres, pois acreditam que “poderia funcionar como mais um atrativo turístico da cidade”.
A próxima iniciativa que vão realizar terá lugar no fim de semana de 5 de junho. O evento vai promover a troca de roupa e acessórios em segunda mão e, deste modo, abrir a discussão sobre Sustentabilidade e Minimalismo na moda.
Convidam as participantes a trazer duas peças de roupa, acessórios ou calçados – em bom estado, limpos e sem defeitos – para fazer com que essas peças ganhem novos lares e novo uso.

Mulheres que querem dar oportunidade às suas congéneres

A “Lavou tá novo” vai estar representada com peças em segunda mão, além de proporcionar a oportunidade de conhecer mulheres e negócios das Caldas. Os “drinks” ficarão por conta da bartender Lenara e serão dadas a conhecer as comidinhas da Tâmaras e Cacau (vegan) e da Mari que poderão ser consumidas no local ou então poderão ser levadas para casa.
O evento vai decorrer no exterior e as regras da pandemia terão de ser respeitadas. As participantes devem trazer os seus ecobags e copos e, deste modo, contribuir para que esse sábado “seja ainda mais sustentável”, rematam as coordenadoras da Liberta, que prometem surpreender com mais propostas.

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