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João Donato conta estórias nas suas peças de cerâmica

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João Donato conta estórias nas suas peças de cerâmica
A exposição atrai miúdos e graúdos e está patente na Casa dos Barcos até ao dia 12 de fevereiro

Exposição “Deixar a noite ser” abriu portas a 13 de janeiro e dá a conhecer cerâmica moçambicana contemporânea

João Donato é um verdadeiro contador de histórias. Não usa palavras, prefere contá-las no barro, tal como se pode constatar na exposição Esperamos a noite ser”, que abriu a 13 de janeiro, na Casa dos Barcos, no Parque.
A maior parte dos seus trabalhos são o que chama “de histórias (séries) que se referem a coisas acontecidas ou a acontecer”. “São a minha versão das coisas”, afirma o artista, que considera que as peças de cerâmica só lhe pertencem enquanto ele as trabalha. Depois “elas são de quem as vê”.
O artista encontra-se em Moçambique, a terra natal, onde vive, depois de ter aprendido e de ter trabalhado em cerâmica em países como Inglaterra e no Brasil.
Este ceramista, que tem uma carreira internacional, viveu muito tempo em Cabo Delgado e tem “uma ligação afetiva muito grande com a terra e suas gentes”.
A mostra centra-se na recente tragédia vivida na região, onde os habitantes daquela província esperam pela calada da noite para conseguir fugir aos ataques dos rebeldes. Escondem-se nos mangais e, depois, tentam alcançar o mar nas suas pirogas, esperando alcançar um horizonte de esperança. As peças escultóricas falam sobre esta fuga e registam as memórias de quem viveu o drama “numa luta constante contra o esquecimento”, disse João Donato, que espera poder vir às Caldas antes do terminus da sua exposição, constituída por três partes: “Dormindo com cobras”, “Escondidos nos mangais” e “Nos caminhos do mar”.
O segundo núcleo é dedicado às várias prisões por onde o autor passou. E ironiza ao referir-se aos presídios – alguns palhotas com grades – como “Alojamento Temporário”.
Pode, ainda, ser apreciada a série “Os Sons da Música” onde estão recriações de instrumentos musicais, alguns referentes ao free jazz, género que tanto aprecia, além de outras peças que Donato dedica à natureza, ao amor e à pesca que primam pela originalidade e que cativam o olhar e atenção de visitantes de todas as idades. São peças fora do comum, inspiradas em temas locais e que traduzem a forma singular e a identidade de Jonas Donato.
Este artista tem apresentado exposições individuais e coletivas em Moçambique, Portugal, Brasil, Reino Unido e Suécia está a preparar uma nova exposição para apresentar, no final do ano, Instituto Camões.
A não perder, a exposição “Esperamos a noite ser” de João Donato está patente até 12 de fevereiro, na Casa dos Barcos, no Parque D. Carlos I.

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