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Arquivistas e historiadores abrem ciclo de tertúlias do PH

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Arquivistas e historiadores abrem ciclo de tertúlias do PH
Os convidados que fizerm parte da primeira sessão do ciclo de conversas do PH que foram iniciadas em 2021

CCC acolhe conversas com especialistas, promovidas pelo Património Histórico, em volta de temas ligados à cidade e à memória

“Memória é conhecimento: a cidade vista e revista por historiadores e arquivistas” designou a primeira tertúlia do ciclo promovido pela Associação Património Histórico.

A sessão que contou com mais de 30 pessoas na assistência teve lugar no Café do CCC e contou com o António Camões Gouveia (NOVA FCSH/CHAM e UCP/CEHR); Maria de Lurdes Rosa (IHC-NOVA FCSH) e Paulo Batista (Arquivo Nacional Torre do Tombo). A moderação esteve a cargo de Joana Beato Ribeiro, arquivista e membro da direção do PH.
Camões Gouveia considera a cultura essencialmente como criação, como fruição e os arquivos, tal como as bibliotecas e os museus, “como instâncias de mediação”. Nesse sentido, o orador acha que a cidade “é um espaço que tem espaços, que permitem micro-culturas, ou seja, não há apenas a “cidade””. O que é fundamental, segundo a sua perspetiva deste convidado, “é criar dinâmicas de comunicação que incluam públicos”. Para Camões Gouveia deve imperar uma lógica de aproximação entre arquivos, museus, bibliotecas e associações, até porque “a memória é mais facilmente manipulável do que outras perspetivas”. A exemplo do que fez com a rainha D. Leonor, fundadora da cidade, “compete-nos agora criar novas marcas que decorram da documentação, do estudo e da crítica”.

Para o convidado da Universidade Nova, o património “não deve ser sacralizado”, mas é essencial “um profundo conhecimento no qual esteja alicerçada a programação, outro conceito chave que não de confunde com calendarização, mas com a capacidade de ter ideias e de as concretizar”.

Maria de Lurdes Rosa, medievalista, valoriza a ligação que há entre a cidade do nosso imaginário contemporâneo com as cidade medievais.

A cidade medieval é particularmente importante no renascimento do século XII, quando se começaram a desenhar-se os países europeus.

Na mesma época, as universidades e as ordens mendicantes “contribuíram para a autoidentificação do local, ou seja, da cidade”.

Maria de Lurdes Rosa deu ainda a conhecer que há uma grande diferença entre a memória dos historiadores e as memórias das comunidades, que evoluem e se alteram ao longo do tempo.

Nesse âmbito, “o arquivo deve guardar as memórias e os depoimentos (por exemplo, depoimentos orais) dos dois lados”, referiu a convidada.

Para Paulo Batista, diretor da Torre do Tombo, a arquitetura e o urbanismo “nunca são neutros”. Na sua opinião, “os historiadores interpretam o devir histórico enquanto os arquivistas são os verdadeiros construtores da memória coletiva”.

O convidado considera fundamental poder disponibilizar os documentos às comunidades e afirmou que os arquivos são instrumentos da tomada de decisões autárquicas, por exemplo”. Considera ainda que os arquivos são a “espinha dorsal da democracia” e que as campanhas de aceitação de documentos devem ser uma prática constante. “Os arquivos devem estar disponíveis aos cidadãos, simplesmente porque os cidadãos têm esse direito”, afirmou. Os arquivos contribuem para a inclusão das pessoas, das comunidades, de todos os que habitam a cidade e, nesse sentido, a acessibilidade aos mesmos torna-se uma questão civilizacional.

Já na fase do debate com o público, bastante participado, referiu-se a necessidade da digitalização dos documentos e respetiva disponibilização online.

Mais do que um arquivo municipal, ficou expresso que é importante criar um arquivo das Caldas, tanto mais que já existem arquivos organizados no Museu do Hospital e das Caldas, na sede da associação PH, na Santa Casa da Misericórdia das Caldas, no Museu de José Malhoa e aguarda-se que todos estes e outros se venham a juntar, com destaque para o arquivo da Câmara Municipal das Caldas l, e que possam no futuro integrar uma base alargada de arquivos disponíveis online.

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