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A Semana do Zé Povinho

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Zé Povinho ainda se recorda de quando o futebol chegou a Portugal, e desde sempre se habituou a ouvir por aí que “o futebol não é para mulheres”. Uma frase da gíria futebolística – essa que é quase uma língua à parte – normalmente associada à virilidade do jogo, mas que não pode ser levada à letra. Há mulheres que jogam futebol e algumas jogam bastante bem, melhor até que muitos homens. As raparigas de A-dos-Francos, e de outras terras que se lhes juntaram para formar uma belíssima equipa, são prova disso mesmo.
O Grupo Desportivo e Cultural de A-dos-Francos apostou há alguns anos no que ainda ninguém tinha arriscado a sério no Oeste. E pé ante pé este projecto foi-se enraizando e tomando proporções que lhe dão já certo estatuto no futebol feminino nacional.
No passado fim-de-semana esta equipa venceu, pela segunda vez no seu curto historial, a Taça Nacional de Promoção, competição dedicada às equipas que não se apuraram para a discussão da subida à I Divisão Nacional. Mas este grupo, bastante jovem por sinal, tem ambição e já diz que na próxima época quer estar na discussão da subida, coisa que falhou esta época apenas por um empate que não estava nos planos.
Como é também num colectivo forte que sobressaem as grandes individualidades, esta equipa já tem várias jogadoras que fazem parte das selecções nacionais, tanto da principal, como das selecções jovens.
A-dos-Francos é a prova que apostar no inesperado dá por vezes grandes resultados e por isso Zé Povinho não podia deixar passar a oportunidade de dar os parabéns às atletas e a quem as acompanha. E também ao clube por ter tido a coragem de apostar no escuro há uns anos atrás, provando que, afinal, o futebol também é para as mulheres.

Os maquinistas, tal como a generalidade dos trabalhadores deste país, têm razão. O governo, tão temeroso para rasgar os acordos milionários das rendas da EDP ou os contratos “blindados” das PPP, que prejudicam o país em milhões de euros, é pródigo em fazer tábua rasa dos direitos de quem trabalha, ignorando acordos colectivos absolutamente legais e em vigor.
É o que acontece com os maquinistas da CP, uma profissão de grande complexidade e desgaste físico e psíquico, que merece a Zé Povinho o maior respeito.
Mas dito isto há que afirmar bem alto que a actual greve “à la carte” decretada pelo Sindicato dos Maquinistas (SMAQ) está a contribuir para o encerramento dos serviços mais frágeis e das linhas que têm menor procura, como é o caso da linha do Oeste.
Se é certo que a grande culpada pela má gestão desta linha é a CP – que insiste numa oferta comercial desadequada, feita de costas voltadas para o cliente -, as recentes intenções do governo em querer fechar o troço Caldas – Figueira da Foz deveriam fazer os dirigentes do SMAQ pensar que podem estar a dar um tiro no seu próprio pé, contribuindo para que a linha morra à míngua de passageiros. É que estes já não têm paciência para aturar greves difíceis de explicar, onde em cada dia nunca se sabe quais os comboios que circulam e os que são suprimidos.
Governo e CP não têm primado pela defesa de um serviço público no Oeste que, como diz o próprio dirigente dos maquinistas, António Medeiros, tem um “enorme potencial”. Mas de nada serve esse potencial se as greves acabarem definitivamente com ele.

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