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Secretário de Estado quer agentes culturais bem distribuídos pelo território nacional

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Secretário de Estado quer agentes culturais bem distribuídos pelo território nacional
O governante (ao centro) visitou a escola e conheceu o trabalho desenvolvido nos vários cursos | F.F.

O secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, considera que é fundamental a qualificação no sector cultural e destacou o trabalho que está a ser feito pela ESAD nesse sentido. O governante, que esteve na escola de artes caldense, a 9 de Março, disse que é necessário recriarem-se novas centralidades e fixar os profissionais do sector de forma mais equilibrada no território nacional.
Miguel Honrado teve também oportunidade de visitar as instalações e de conhecer trabalhos desenvolvidos por alunos nos vários cursos, que considerou “fascinantes” e de “excelência”.

Dois anos depois de ter estado na ESAD, enquanto gestor cultural, numa conversa cruzada sobre gestão, programação e públicos, Miguel Honrado voltou à escola de artes caldense, nas funções de secretário de Estado da Cultura, para inaugurar o mais recente curso ali ministrado: Programação e Gestão Cultural.

Na oração de sapiência que proferiu, Miguel Honrado felicitou a escola pela criação do curso que contribui para a qualificação no sector cultural. Esta necessidade de qualificação e especialização dos recursos humanos foi, aliás, o fio condutor de toda a sua intervenção. O governante falou das crises, mas também das oportunidades e desafios que o sector cultural coloca hoje aos alunos. Reconheceu que o mercado de trabalho ainda é difícil, com uma elevada taxa de desemprego, mas também sabe que os profissionais trabalham nesta área por paixão e mantêm uma resiliência e capacidade de fazer e de se organizar que não se encontra noutros sectores. “A actividade cultural tem futuro, vai-se desenvolver muito nos próximos anos e necessitamos de novos quadros que possam sustentar este desenvolvimento”, disse.
Miguel Honrado defendeu também a descentralização da cultura e a necessidade de recriação de novas centralidades no país, tanto para dar uso sustentável aos equipamentos existentes, como para fixar os profissionais do sector no território. E disse que é necessário criar e aprofundar a mediação cultural, permitindo ter projectos culturais “que falem às pessoas”.

Proximidade entre a escola e o território

A relação de proximidade entre a escola e o seu território foi evidenciada pelo director da ESAD, João Santos, destacando que por vezes essa proximidade é confundida com cumplicidade e “isso é um sinal de confiança, resultado de um processo de crescimento conjunto”.
O responsável falou também sobre a criação da nova licenciatura como o passo lógico para continuar o trabalho de afirmação da escola no panorama do ensino das artes e do design. Destacou que desde o primeiro semestre que são incrementadas práticas de aproximação e experimentação às disciplinas artísticas e do design, dentro da escola e em colaboração com as instituições culturais da cidade. “Só nas Caldas da Rainha é possível desenvolver com sucesso um programa tão inovador como o que se propõe”, referiu o director da ESAD.
Já o professor coordenador, João Serra, salientou que a programação, produção e gestão cultural mobilizam cada vez mais conhecimento. Por outro lado, são-lhe colocadas “expectativas e exigências por parte das organizações que prosseguem políticas e realizam investimentos no campo artístico e cultural, tanto no plano local como nacional e internacional, tanto no plano público como associativo e empresarial”.
João Serra falou de dois projectos estratégicos para a escola e pediu o apoio do governo para a sua concretização. Um deles é a revista “Hermes. Cadernos de mediação cultural”, que tem duas edições por ano e cujo foco principal é a gestão cultural. A escola pretende também apresentar uma candidatura à cátedra UNESCO denominada “Gestão das Artes; Cidades e Criatividade”. As cátedras UNESCO constituem uma rede nos domínios da ciência e da cultura que articulam a investigação e a reflexão produzida nas escolas, de modo a enriquecer os programas universitários, a criar pontes entre os círculos académicos, a sociedade civil, e as comunidades locais, e a aprofundar políticas de ciência e de cultura.
“A cátedra procurará contribuir para o conhecimento e disseminação de boas práticas de gestão cultural, e para o desenvolvimento de metodologias integradas do ensino das artes”, explicou João Serra.
O presidente do IPL, Nuno Mangas, mostrou-se agradado com este projecto, que diz ser diferenciador e que trará valor acrescentado à escola, região e país.
Referindo-se ao novo curso, o responsável enalteceu a sua importância, tanto a nível interno, como de ligação ao território. Nuno Mangas destacou a proximidade da escola não só com o municipio das Caldas, mas com toda a região, e fez notar que os futuros licenciados terão um papel muito importante junto dos agentes locais, das autarquias e entidades que trabalham no âmbito da cultura.
A relação entre a ESAD e as Caldas foi também evidenciada pelo presidente da Câmara, Tinta Ferreira, dando como exemplo o trabalho que esta tem desenvolvido para o projecto Caldas Cidade Cerâmica, que terminará com a candidatura à Unesco em 2020.

Futuro dos museus em aberto

O secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, não se pronunciou sobre o futuro dos museus da Cerâmica e de José Malhoa. Questionado pela Gazeta das Caldas sobre a possibilidade de ampliação do Museu de Cerâmica ou mesmo da sua municipalização, o governante disse apenas que a situação está a ser ponderada. “Estamos a reflectir e, em princípio, a breve trecho haverá uma decisão sobre essa matéria”, referiu.

Caldas na candidatura de Leiria Capital da Cultura

Um grupo de trabalho coordenado por João Serra está a preparar o enquadramento estratégico da candidatura de Leiria a capital da cultura em 2017. A candidatura, que está a ser trabalhada pelo município de Leiria, deverá abranger toda a região, tornando-a assim mais forte.
De acordo com Gonçalo Lopes, vice-presidente da Câmara de Leiria e vereador da Cultura, o grupo de missão está a definir o território que constituirá a candidatura, mas considera que “dentro da importância cultural da grande região de Leiria, faz todo o sentido a inclusão não só das Caldas da Rainha, mas também de Peniche e Óbidos”. O autarca salienta que um dos parceiros principais do municipio é o Politécnico de Leiria, que possui duas escolas no sul do distrito e uma projecção muito importante em termos culturais no panorama nacional. Para além disso, o “nosso líder do movimento é João Serra, que é das Caldas e da ESAD, pelo que é natural que fosse desde o início uma das nossas preocupações”, disse à Gazeta das Caldas.
Gonçalo Lopes explicou que o trabalho que tem sido feito é de aproximação das autarquias, comunidades intermunicipais e dos agentes culturais no contexto mais abrangente da região.
Também o presidente do IPL, Nuno Mangas, realçou que a ESAD, com a licenciatura e mestrado em Gestão Cultural, podem ter um papel muito importante no desenvolvimento da candidatura.

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