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Francking na região?

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Na última Gazeta das Caldas no artigo “População preocupada com exploração de petróleo na região”, muito oportuno neste tempo esquisito de aquecimento global, surgiu uma afirmação não menos preocupante: Segundo o “Movimento Peniche Livre de Petróleo”, a Câmara das Caldas não respondeu a um pedido de tomada de posição sobre este tema apesar de ter contractos que visam o fracking no seu território.
Se por um lado é grave que o nosso Município se remeta ao silêncio numa matéria tão séria, tão ou mais preocupante é a frase que transcrevo no parágrafo anterior.
O que é o fracking?

Consiste na perfuração de um furo vertical no solo até uma determinada profundidade, girando a broca para a horizontal para continuar a perfurar centenas de metros. De seguida é injectada uma quantidade brutal de água com substâncias químicas e areia a alta pressão. O objectivo é ampliar as minúsculas fissuras existentes no subsolo rochoso, fracturando-o, daí o nome, permitindo a libertação sobretudo do gás natural prisioneiro na rocha. É um processo perigoso, pois contamina os lençóis freáticos – há Estados nos EUA, com graves problemas desta natureza.
Por isso, a afirmação implícita na frase é muito séria, porque a confirmar-se, configuraria uma atitude de total desrespeito pelos caldenses. Contractos já assinados? E a opinião pública?
Penso que a redacção da Gazeta procurará antes da publicação deste artigo apurar a veracidade dos factos.

Carlos Mendonça

NR – Gazeta das Caldas contactou a Câmara das Caldas, convidando-a a responder à presente carta, tendo obtido o seguinte esclarecimento:

1 – A Câmara Municipal recebeu no dia 23 de setembro uma carta aberta do Movimento Peniche Livre de Petróleo manifestando a sua posição em relação ao tema da prospecção e exploração de petróleo na nossa região e solicitando apoio para esta causa.
2 – Câmara Municipal das Caldas da Rainha decidiu na sua reunião de 17 de Outubro de 2016 manifestar por unanimidade a sua solidariedade com o Movimento Peniche Livre de Petróleo, tendo esta decisão sido comunicada ao referido Movimento no dia 25 de Outubro de 2016, pelo que não percebemos o porquê das observações negativas que o senhor Carlos Mendonça faz à Câmara Municipal sobre este assunto.
3- Esclarecemos ainda que vemos com muita reserva que a exploração de petróleo possa ser efectuada na nossa região, especialmente com a utilização de técnicas de Fracking, porque este recurso energético altamente poluente caminha a médio e longo prazo para uma utilização residual em substituição por alternativas energéticas mais limpas e ambientalmente mais seguras e porque as vantagens que eventualmente daí pudessem resultar não compensariam os prejuízos para o meio ambiente e para a saúde das populações, além de também poder colocar em risco as actividades económicas ligadas aos sectores do turismo, da agricultura e pescas, entre outros, que são essenciais para o tecido económico da região.
Assim, por tudo o que se anteriormente se disse, não tem razão o leitor quanto ao conteúdo da referida carta que enviou para a Gazeta das Caldas.

Fernando Tinta Ferreira
Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha

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