
De Moçambique tem, por exemplo, a memória da Guerra na página 186: «voltei eu com uma guerra às costas que ganhei, costumo blasonar, minas, crueldade, tiros, mas não ganhei nem sequer empatei. Perdi.» O sonho de vencer a Morte está num desejo da página 100 quando o autor começa um parágrafo a afirmar «Nem quero imaginar qual será o aspecto da minha terra se um dia os sobreiros desaparecerem» e o conclui a desejar «Deviam ser eternos os sobreiros da minha terra, nós próprios e todas as pessoas que um dia amámos o deviam ser».
Como amostra do estilo depurado e fino, emocionado e contido, ritmado e sintético, fica um excerto da página 133 sobre Albufeira: «Mas ouviram contar ou leram sobre as fábricas de conservas, sobre os galeões que chegavam, sobre o ribeiro, sobre o campo da bola, sobre a actividade piscatória, chegaram mesmo a identificar na fotografia os ferros de uma armação e um estaleiro de reparações mas nenhum deles se alarmou por não ver vivalma no local, nem gente, nem bicho, nem peixe».
(Editora: Zaina, Prefácio: Idalina Fernanda Meireles, Capa: Álvaro Carrilho)
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