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Empresa sediada nas Gaeiras cria tecnologia de produção de energia a partir das ondas do mar

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Empresa sediada nas Gaeiras cria tecnologia de produção de energia a partir das ondas do mar

A empresa Sea for Life, que está sediada há três anos nas Gaeiras, dedica-se à investigação e desenvolvimento orientado para os oceanos. Depois de cinco anos de estudo e três de ensaios, chegou ao modelo final Wega – Wave Energy Gravitational Absorber, um projecto inovador graças à sua capacidade de produzir energia sem ter qualquer movimento mecânico na água.
Gazeta das Caldas viu o Wega em movimento, numa simulação de produção de energia, que serviu também para mostrar o projecto à autarquia de Óbidos.
O próximo passo será o teste em mar.

É num discreto armazém, de cerca de mil metros quadrados, situado nas Gaeiras que está a ser desenvolvida uma inovadora tecnologia de produção de energia a partir das ondas do mar. O Wega é o resultado de vários conceitos que foram sendo aprimorados e será a tecnologia que os empresários acreditam que poderá tornar a energia das ondas competitiva.
Entre as suas vantagens, o director geral da empresa, Jorge Rodrigues, destaca a capacidade de produção de energia sem ter qualquer movimento mecânico na água, o que também confere uma maior durabilidade ao sistema. O dispositivo é composto por um corpo que está suspenso numa estrutura, semi-submerso, e tem um movimento elíptico de acordo com a passagem das ondas, estimando os responsáveis que possa produzir entre 100 a 150 kilowatts de energia.
Está concebido para produzir energia off shore (a maior distância da costa e maior profundidade), nearshore (mais próximo da costa e a menores profundidades) e line shore (junto à costa e também fixo ao fundo do mar).
Outra das vantagens destacadas é a possibilidade desta tecnologia ser acoplada com outras, como a energia eólica, aquacultura, produção de hidrogénio, ou a dessalinação marítima. “A nossa ideia é desenvolver parcerias com outras entidades” disse o responsável, acrescentando que o objectivo final será a industrialização do equipamento.
Por agora ainda não chegaram à fase comercial, estando apenas a estabelecer contactos com empresas no sentido de passar à fase de ensaio no mar.
A tecnologia utilizada é made in Portugal e toda construída dentro do armazém das Gaeiras. Ali trabalham cinco pessoas, duas no desenvolvimento dos projectos, duas na oficina e uma na gestão.
A escolha deste local para a instalação da empresa, em 2007, prendeu-se com o facto de Óbidos estar próximo do mar e tratar-se de um concelho que aposta nas energias renováveis, referiu o seu director geral.

Milhares de horas de trabalho e 15 modelos testados

Nas instalações da Sea for Life existem dois tanques. Um deles, de 7,5 por 3,5 metros, com um metro de água de profundidade, é utilizado para simular situações de nearshore e offshore. Já o tanque maior, de 30 por 4 metros e 3,5 metros de profundidade, serve para testar o actual modelo do Wega, com 2,5 metros de altura.
O seu mentor é o engenheiro Nuno Teixeira, um apaixonado há mais de 20 anos pela energia das ondas e também prémio nacional Inovação e Ambiente em 2004. Conta que o passo seguinte é fazer um outro modelo, ainda não à escala real – o final terá seis metros de diâmetro – porque uma das suas características é “andar com os pés assentes no chão, estudando estas coisas  gradualmente”.
A aplicação do Wega vai depender dos apoios que tenham. “Até aqui foi tudo investimento privado, foi o acreditar neste projecto” diz Nuno Teixeira, lembrando que foram precisas milhares de horas de trabalho e testar mais de 15 modelos diferentes para chegar à fase de convencer outros para dar o passo para o mar.
A empresa tem um capital social de 500 mil euros. Trata-se de capital próprio, de três sócios portugueses, um deles da região Oeste, que decidiram apostar nesta área. Agora surgem duas alternativas: ou desenvolver a tecnologia sozinhos ou, como esperam, avançar com outro grupo de empresas interessadas nesta área, de preferência nacionais.
“Fundamental é que seja um equipamento sem jogos mecânicos dentro de água, o que faz dele o um caso único no aproveitamento da energia das ondas.
“Está aqui o futuro da energia vinda do mar e vai nascer em Óbidos”, acredita o tecnólogo.
Depois de visitar a empresa, o presidente da Câmara, Telmo Faria, disse tratar-se de um exemplo do que é a capacidade de inovação e que tem “muito orgulho” que projectos destes se desenvolvam naquele concelho.
O autarca destacou ainda que a Sea for Life assenta numa metodologia que aprecia bastante, baseada no aprender pela experimentação, e que acredita que o projecto virá a ter muito sucesso, uma vez que “trabalha numa área essencial nas energias alternativas em que muito poucos conseguiram apresentar produto”.

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