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De Braços Abertos – Fazer

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“Estavam cinco sapos em cima de um tronco e três decidiram saltar. Quantos ficaram no tronco?” Este problema, aparentemente simples e de solução óbvia, lembra o facto evidente de que não basta decidir para que as coisas apareçam feitas. Por isso, no tronco podem estar ainda os cinco sapos, impávidos e serenos. Concretizar o que se decide é tão importante quanto decidir, não se devendo desvalorizar qualquer das etapas. Contudo, porque frequentemente o processo de decisão é longo e penoso ou a decisão visa apenas iludir alguém, a vontade ou capacidade para empreender é pouca e as coisas “ficam no papel”.
O processo empreendedor obriga a percorrer várias etapas. A primeira é a do sonho ou visão, a qual pode corresponder a uma única ideia, simples e clara, ou a múltiplas ideias, vagas e dispersas. Tomada a decisão sobre o que fazer, importa ainda decidir sobre como fazer, o que por vezes compromete a decisão anterior relativa ao objecto ou objectivo. Definido o método, incluindo o quanto, quando, onde e quem, fica completa a decisão, restando a etapa definitiva: concretizar o que se pensou.
Este processo é necessariamente interactivo, com avanços e recuos, sendo o erro uma componente intrínseca e inevitável que deve ser monitorizada e mantida a níveis aceitáveis, quando impossível de evitar. Repito, o erro é uma variável da equação em qualquer projecto empreendedor, não devendo por si só envergonhar ninguém. Vergonha, vergonha, é não tentar, nada fazer e impedir que outros façam. Vergonha é aproveitar o erro de quem faz para rebaixar e desincentivar, procurando assim justificar a inacção própria.
Consciente ou inconscientemente, muitos comportam-se como os sapos do problema: decidem mas não fazem. Ou mesmo abaixo de sapos: não decidem nem pensam fazer alguma coisa, limitando-se a invejar, boicotar ou aproveitar-se do que os outros fazem. No plano individual, isto é frustrante e irritante, o que na verdade pouco importa. Mas, no plano colectivo – da sociedade, do trabalho ou do lazer – esta realidade é devastadora e, por isso, inaceitável, responsabilizando, pelo menos no plano da censura social, aqueles que se comportam dessa maneira.

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