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“Quem comemora 50 anos de carreira já não tem personagens marcantes”, diz Nicolau Breyner

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“Quem comemora 50 anos de carreira já não tem personagens marcantes”, diz Nicolau Breyner

Nicolau Breyner esteve nas Caldas a 14 de Agosto para apresentar no CCC o espectáculo comemorativo dos seus 50 anos de carreira.

O actor reflectiu em palco sobre a relação que tem hoje com o mundo, perante o parco público caldense que não encheu metade do grande auditório. Em tom intimista, este autor partilhou divertidas histórias de bastidores do teatro, do cinema e da televisão e também fez reflexões sobre o estado do país na actualidade por causa da “malfadada” crise. Esta também se tem reflectido nos cachés dos artistas, “que têm vindo a baixar paulatinamente”, disse durante a actuação. “Entretanto vão começar a pagar-nos em sacas de arroz!”, ironizou o artista.
Durante a actuação houve alguns momento musicais e um ecrã onde foram projectados vídeos com momentos importantes da carreira de meio século deste actor.
“Porque é que os computadores nunca funcionam?” ou “Quem é que se lembrou de criar casas de banho inteligentes?”, são algumas das “irritações” que Nicolau Breyner partilhou durante este espectáculo que tem o seu nome.
Para não se desviar do assunto  – já que história puxava história e o espectáculo durou uma hora e meia – o actor “usou” um GPS que lhe deu indicações úteis como “está a sair do guião, volte ao texto logo que possível!”.
Este espectáculo “é uma reflexão de vida sobre os meus  50 anos de carreira, mas é uma visão  divertida”, disse o actor à Gazeta das Caldas. O actor tem família a morar numa quinta em Barrantes (Salir de Matos) e por isso sente-se mais ligado a esta região.
“Nicolau Breyner” está em digressão pelo país desde Abril e depois das Caldas continuará a ser apresentado noutras salas de espectáculo. “Tenho tido um óptimo feed-back, as pessoas divertem-se que é o que mais me importa”, contou o artista. Além de uma dose q. b. de  improvisação este espectáculo é para o autor uma actuação de acção-reacção e esse facto também acaba por determinar algumas orientações desta peça.

“Apesar de ter “nascido” no teatro prefiro o cinema e a televisão”

Nicolau Breyner encontra-se entre os melhores actores do país. É é comum ouvir-se que se tivesse feito carreira noutro país, a projecção seria totalmente diferente. “Sim…É comum comentarem esse facto comigo mas, na verdade, o que há fora de Portugal? Um maior mercado, outra dimensão, se tivesse partido teria conhecido outras pessoas…”.
O que é certo é que o actor não quis e não quer deixar Portugal. “Agora, aos 69 anos,  não me apetece nada sair para o estrangeiro. De qualquer modo continuo a trabalhar em co-produções. Ainda agora acabo de participar num filme no Brasil”, contou.
Apesar de ter iniciado a sua carreira há cinco décadas no teatro, Nicolau Breyner diz que o seu coração actualmente pende sobretudo para “o cinema e de seguida para a televisão”.
Para o actor, quando se celebra 50 anos de carreira “já não há personagens marcantes” e considera esta questão similar à “qual é o filme da sua vida?”. E isto porque a escolha de apenas um filme que hoje lhe agrade pode já não ser o mesmo daqui a dois anos. Nicolau Breyner tanto gosta de personagens de comédia como de drama desde que estas “sejam boas”.
Na sua opinião o país está a atravessar uma profunda crise, que é também internacional mas que aqui “é agudizada pelo facto dos sucessivos governos não terem tomado as medidas certas”. Acha que a justiça “está pelas ruas da amargura com casos escandalosos todos os dias” e considera que é um absurdo que não haja dinheiro num país “onde subiu a procura de imóveis avaliados em mais de um milhão de euros”.
Na sua opinião as incertezas do mercado também se reflectem nos mundos do teatro, do cinema e da televisão “mas estas terão que ser, mas cedo ou mais tarde, ultrapassadas”.
Nicolau Breyner já conhecia o CCC e comentou que este equipamento “está entre o melhor que existe no país”. Estranha sim o facto de Lisboa ter perdido este tipo de espaços. “Neste momento há quatro ou cinco  teatros estatais, para-estatais ou com companhias residentes na capital. Se eu  quiser  apresentar um projecto, não tenho um espaço, gostaria muito, mas não tenho”, rematou.

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