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Associação de Imprensa e Biblioteca Nacional unem-se para digitalizar jornais e revistas portugueses

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Todos as publicações portuguesas (jornais e revistas) vão ser digitalizadas nos próximos anos, entre os quais a Gazeta das Caldas que esteve na sessão pública realizada em Lisboa.
Foi isso que ficou estabelecido num protocolo assinado a 23 de Abril entre a Associação Portuguesa de Imprensa (API) e a Biblioteca Nacional (BN, por ocasião do 50o aniversário da criação da organização dos jornais portugueses.
“A digitalização de toda a imprensa portuguesa é um processo pensado pelo menos para os próximos 20 anos”, disse Jorge Couto, o presidente da BN acrescentando que apesar de ser algo longo no tempo “estamos em condições de começar a concretizar o protocolo que hoje aqui celebrámos”. E isto porque há já algumas publicações que estão a efectuar o depósito voluntário na Biblioteca Nacional em formato digital, o que permite algum avanço neste projecto de digitalizar toda a imprensa do país.
O problema é a digitalização das edições antigas em papel, que são muitos milhares e que necessitam de maquinaria especializada. “Para se ter uma ideia, nos EUA há um projecto de cerca de 100 milhões de dólares para em 20 anos digitalizar toda a imprensa publicada naquele país desde o século XIX até 1920”, disse o director.
Serão pois necessários um grande investimento e muito trabalho mas, para Jorge Couto, o fundamental é “iniciar o caminho, incentivar outras instituições a juntarem-se a nós e a obter financiamentos nacionais e comunitários para estes projectos”.
Segundo João Palmeiro, o presidente da AIP, este é um protocolo “muito importante” já que em todo o mundo se constata “um afastamento entre as Bibliotecas Nacionais e os jornais”. O clima de entendimento em Portugal foi iniciado há dois anos, pois as duas instituições estão envolvidas num projecto internacional – que envolve 12 países europeus – e que é possível unir as bibliotecas nacionais e as publicações “mantendo a seu objectivo de serviço público e disponibilizando os conteúdos a quem precisa deles para investigação, ao mesmo tempo que respeita o princípio de negócio e da venda de conteúdos que tem que continuar a ser nosso”, disse o dirigente dos jornais.
A digitalização das publicações foi apresentado ao QREN e deverá orçar em cerca de três milhões de euros. Com a assinatura deste protocolo com a BN, – que recebe legalmente exemplares de todos os jornais e revistas, como livros – “só teremos que recorrer a colecções externas quando a própria Biblioteca tiver falhas”, disse João Palmeiro.
Alguns associados da AIP tentaram encetar processos de digitalização das suas colecções, com o apoio até de algumas autarquias mas “acabaram por digitalizar apenas algumas centenas de exemplares, quando se aperceberam dos custos que envolve um processo de digitalização de milhares de páginas”. A grande maioria acabou por desistir por causa dos elevados custos da mão de obra ou porque nem sequer disporem de scanners adequados aos jornais ou à qualidade do papel. Outra das reivindicações da AIP é para o depósito legal em papel ser substituído pelo digital que entretanto “se tornará uma realidade”.
Nesta sessão que decorreu na Biblioteca Nacional e foi presenciada por algumas dezenas de pessoas, na maioria ligada a meios de comunicação social que pertencem a AIP, participou também a investigadora Irene Tomé da Universidade Nova de Lisboa, que fez uma palestra sobre “Associativismo de Classe – Emergência e Percurso”. A investigadora contou o percurso da AIP, desde a sua criação como Grémio da Imprensa Regional ao actual formato representativo de toda a imprensa escrita, tendo destacado os momentos mais importantes da história daquela instituição.
A comemorar o seu meio século a AIP pretende assinalar esta especial data e para tal, entre os seus membros nomeou embaixadores em cada distrito do país. Se em Aveiro é a Soberania do Povo que representa esta instituição, em Faro o escolhido é o Jornal do Algarve ao passo que em Leiria, a AIP é representada pela Gazeta das Caldas, que foi um dos jornais fundadores do Grémio em 1960 e que esteve no lançamento da ideia anos antes. Também pertenceu aos primeiros corpos sociais desse organismo que teve um carácter corporativo face ao regime vigente.

 

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