Técnico sucede a José Vala, a quem deixa elogios, e promete exigência para o que falta da época
João Aguiar foi o escolhido para suceder a José Vala no comando técnico dos alvinegros, regressando ao clube numa fase que admite ser exigente, mas que encara com “orgulho” e sentido de responsabilidade. O técnico, que recentemente tinha deixado o Casa Pia, assume o desafio com a ambição de devolver tranquilidade, alegria e exigência ao grupo.
João Aguiar esteve no Caldas entre 2019/20 e o final da época passada. Passou pelos iniciados, juniores e equipa B, com a qual venceu a Taça Distrital da AF Leiria. Integrou ainda, as equipas técnica de José Vala. Tinha saído para integrar a equipa técnica de João Pereira no Casa Pia, da 1.ª Liga, experiência que terminou menos de duas semanas antes da chamada do Caldas.
“Não é na altura nem da forma que eu idealizei, mas nunca escondi a ambição de um dia voltar a casa e treinar o Caldas”, afirmou João Aguiar, sublinhando a confiança demonstrada pela direção. “Senti o chamamento do clube e a confiança de que eu era a pessoa certa para dar a volta a isto. Isso enche-me de orgulho e estou pronto para trabalhar”, acrescentou.
Conhecedor profundo da realidade do clube, João Aguiar acredita que essa familiaridade foi determinante para a aposta da direção. “O Caldas quer manter a sua matriz e, em momentos difíceis, ninguém melhor do que quem conhece bem a casa”, referiu. O treinador destacou ainda a ligação emocional ao clube, aos adeptos e à massa associativa. “Sempre me senti muito acarinhado. Não tinha como recusar o apelo da direção para ajudar o clube neste momento.”
Sobre a saída de José Vala, deixou palavras de reconhecimento. “É uma pessoa muito importante na história do clube, um dos melhores treinadores de sempre, com um carisma enorme e valores muito fortes. Só por isso este é um momento difícil”, frisou, lembrando que a situação na tabela não é aflitiva. “Temos 18 pontos e se eles tivessem sido obtidos de outra forma, com estes últimos resultados diluídos nas vitórias da primeira volta, se calhar não estávamos a falar da mesma forma. É a isso que nos temos de agarrar.”
Quanto ao trabalho a desenvolver, João Aguiar promete exigência, sem perder a identidade do clube. “Quem trabalha no Caldas tem de sentir o peso da exigência, mas também o privilégio que é representar este clube. Há muita gente que gostava de estar aqui”, afirmou. Para o imediato, pediu sobretudo alegria aos jogadores. “O processo estava a ser bem feito. A equipa cria oportunidades e concede poucas. Às vezes é uma questão mental. Pedi-lhes que voltem a estar alegres e que, no fim do jogo, os adeptos sintam orgulho naquilo que viram.”
O novo treinador olha para este passo como mais um na sua evolução, marcada pelo trabalho e pela dedicação. “Nunca ninguém me deu nada. As oportunidades que tive foram conquistadas com trabalho”, salientou. “Não gosto de olhar muito para a frente. O agora é o Caldas e é aqui que temos de dar uma resposta e dar a volta”, concluiu.
“Tudo tem o início e um fim”
José Vala anunciou a saída na noite de sábado, após a derrota em Évora.
“Tudo tem o início e um fim”, começou por escrever o técnico numa publicação nas redes sociais. “Sem enunciar ninguém, porque com toda a certeza, não me ia lembrar de todos, apenas deixo o meu agradecimento à instituição, Caldas Sport Clube, por me ter permitido estar tantos anos na “minha cadeira de sonho”. Não é o fim desejado, mas resulta de uma avaliação e análise completamente consciente e pensada em prol do melhor para todos”.
A cumprir a 10.ª época consecutiva como treinador principal e a 11.ª juntando a primeira passagem no clube, José Vala somou 314 jogos, com 118 vitórias, 88 empates e 108 derrotas, 384 golos marcados e 369 sofridos. Entre os melhores momentos contam-se uma manutenção nos nacionais conseguida na última jornada da temporada 2012/13, tendo pegado na equipa com a segunda fase em andamento, o apuramento para a Liga 3, a mítica chegada à meia-final da Taça de Portugal em 2017/18, na qual caiu apenas no prolongamento contra o D. Aves, e ainda o encontro com o Benfica para a mesma competição na época 2022/23, em que o pelicano só caiu no desempate por pontapés de penálti.