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PH promoveu visita ao Jardim de infância da Misericórdia que foi sede do Lactário

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PH promoveu visita ao Jardim de infância da Misericórdia que foi sede do Lactário
O grupo visitou várias áreas do Jardim de Infância

O Jardim de infância da Misericórdia ainda guarda algumas marcas do tempo em que o espaço albergou o Lactário-Creche

Decorreu na tarde de sábado, 17 de janeiro, uma visita guiada ao Jardim de Infância Dr. Leonel Sotto Mayor, da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha. A iniciativa marcou o encerramento da exposição “Casas de Bem-Fazer”: o Lactário-Creche Rainha D. Leonor” contou com a coordenação de Joana Beato Ribeiro e também das responsáveis da Misericórdia caldense que prestaram esclarecimentos sobre como era o edifício quando recebeu o Lactário-Creche e as alterações que sofreu ao longo dos tempos. Algumas dezenas de pessoas acompanharam esta visita tendo assim a oportunidade de conhecer como funciona o Jardim de Infância Dr. Leonel Sotto Mayor, que é frequentado por 75 crianças, com idades dos três aos seis anos.

Inaugurado a 18 de novembro de 1925, o Lactário-Creche nasceu numa sala do antigo Hospital Termal, vindo a instalar-se, em 1935, no edifício que hoje alberga o Jardim de Infância Dr. Leonel Sotto Mayor que pertence à Misericórdia. O atual edifício ainda guarda alguns vestígios como o painel de azulejos, colocado na entrada e que dá a conhecer que este Lactário-Creche foi fundado por senhoras das Caldas “para comemorar o IV centenário da morte da Rainha D. Leonor”. Neste painel há também num acrescento azulejar que se dá a conhecer que o espaço foi transformado em jardim-escola em 1953, já sob responsabilidade da Misericórdia local.

Apesar do edifício ser desta última entidade, o terreno continua a pertencer à autarquia local.

Há algumas áreas do jardim de infância que ainda hoje mantém as mesmas funções conforme se constatou na visita guiada.

“Uma das áreas era inicialmente uma sala de aulas e hoje recebe uma das turmas das crianças” ou a sala onde funcionava o consultório médico, ainda hoje mantém uma placa de mármore, dedicada a Fernando Correia.A cozinha e as casas de banho mantêm-se no mesmo local.

O Lactário das Caldas da Rainha, marcou uma nova era na assistência infantil e materna, contando com o impulso visionário do médico e delegado de saúde municipal Fernando da Silva Correia (1893–1966).

“É interessante que o edifício continue a cuidar as crianças, isto é, apesar de já não se cuidar das crianças em idades precoces, continua a cuidar-se dos mais novos, entre os três anos e a entrada para a escola primária”, disse Joana Beato Ribeiro do PH.

O Lactário-Creche teve de facto um papel percursor na assistência a bebés e a crianças sobretudo de famílias necessitadas fornecendo leite, vestuário, cuidados médicos e sobretudo aconselhamento às jovens mães.

Em vários locais do Lactário faziam-se banhos de luz, isto é, simulava-se que se apanhava sol, através da utilização de uma máquina de raios ultra-violeta, pois acreditava-se nos benefícios da vitamina D. “Funcionavam aqui e também noutros locais do Lactário Creche, em salas específicas para ter o aparelho de raios ultravioleta”, explicou Joana Beato Ribeiro.

Segundo a investigadora também se proporcionava às crianças desfavorecidas colónias de férias. “Logo em 1927 as colónias de férias decorriam na praia de S. Martinho do Porto”, contou acrescentando que as viagens eram pagas pela CP. Na década de 30, as colónias fazem-se também na Foz do Arelho com as viagens das crianças asseguradas pela empresa Capristanos. “O Lactário chegou a ter uma centena de crianças e as colónias decorriam durante dois meses”, contou a investigadora. Iam fazer praia crianças até aos 10 anos, ou seja, vinham por isso frequentar as colónias de férias, crianças exteriores ao Lactário. Este último, “começou com muito fôlego mas foi esmorecendo e nas décadas de 40, a entidade tinha muitas dívidas, “a Câmara também não pagava o valor por criança da Casa de Assistência a Menores”. Em dez anos de existência, esta entidade distribuiu 212 mil litros de leites e auxiliou 300 crianças, acrescentando-se 130 internadas. Essencial foi também o papel das visitadoras que eram responsáveis pelo cadastro das crianças e mães pobres e faziam esse trabalho de forma voluntária. As doações e o escalonamento das visitadoras era feitas através da Gazeta das Caldas.

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