Três jovens sensibilizaram transeuntes para o que se está a passar no Irão e pedem assinaturas para petição para auxiliar a população do país
Num dos bancos da alameda principal do Parque D. Carlos I, próximo do Coreto, estiveram, na tarde de domingo, 18 de janeiro, três jovens que distribuíam panfletos sobre a difícil situação que está a passar a população do Irão. Pretendiam dar a conhecer que está a decorrer uma petição em favor das pessoas e contra o regime iraniano.
Uma das jovens, iraniana, pediu para não ser identificada por questões de segurança. No entanto diz que está a fazer esta petição porque neste momento o povo iraniano “não tem voz”.
O Irão vive momentos de tensão desde 28 de dezembro, dia em que começaram por todo o país protestos contra o custo de vida. desde então já se registaram dezenas de mortes e centenas de feridos provocados pelo regime iraniano.
E desde o dia 8 de janeiro, o governo simplesmente cortou os acessos aos telefones e à internet. Nos protestos, os polícias passaram a atirar sobre os manifestantes, usando até metralhadoras, “além de prenderem cidadãos de forma indiscriminada”.
A jovem promotora lançou agora uma segunda petição que pretende ajudar as pessoas que participam nas manifestações “e que estão a sofrer”. Também não revela a sua identidade pois a sua família continua a viver no Irão.
Além do mais, o regime iraniano cortou as comunicações e continua a maltratar quem se manifesta em nome da liberdade.
Com a jovem iraniana estava a sua amiga norte-americana Michelle Heath que a está a apoiar nesta iniciativa de defesa do seu país. “Vivo nas Caldas e sei que é uma comunidade que costuma ser muito recetiva”, disse a jovem que pretende chamar a atenção da sociedade portuguesa para o que se está a passar e que de alguma forma seja possível apoiar as pessoas que neste momento “estão a sofrer”.
As jovens esperam que Portugal possa conceder asilo a refugiados políticos ou agilizando o processo de visto para iranianos. Ambas consideram que tal ação “servirá de exemplo para a UE e para o mundo sobre como prestar apoio durante este período de violência e bloqueio de comunicação”.
A iniciativa está a ser levada a cabo por cidadãos iranianos que residem na região, em conjunto com cidadãos portugueses. E sublinham que o povo iraniano “precisa de ser ouvidos, precisamos de ter apoio internacional”.
A norte-americana Michelle Heath ainda acrescentou que com tantas situações difíceis que acontecem no mundo não se esteja a dar a devida atenção para o que está a acontecer no Irão. Este movimento, afirmou, pretende o fim da violência. Michelle Heath vive nas Caldas e diz que está a adorar viver deste lado do Atlântico. “É um país seguro e orientado para a comunidade”, disse a americana que diz que se estivesse no seu país de origem não saberia se poderia participar nesta ação cívica e de apoio à sua amiga iraniana, que está preocupada com os cidadãos do seu país.
