Mostra de Bartolomeu de Gusmão e de Sebastião Casanova atraiu centenas de pessoas à galeria do CCC. Ambos estudaram na ESAD.CR
Abriu ao público a 10 de janeiro, na galeria do CCC, a exposição “Contranatura” de Sebastião Casanova e Bartolomeu de Gusmão. Com curadoria de Óscar Faria, esta mostra teve uma inauguração muito concorrida, tendo somado pelo menos três centenas de visitantes. Em “Contranatura” aliam-se os dois universos destes artistas contemporâneos, ligados às Caldas pelo facto de terem estudado na ESAD.CR.
Segundo Óscar Faria não há aparentemente pontos de encontro entre as obras dos dois autores e à Gazeta das Caldas contou que foi na fase de montagem que surgiram alguns pontos em comum entre o trabalho de ambos como a nudez ou as naturezas mortas. “Foi um desafio encontrar um equilíbrio entre a singularidade de cada um dos universos autorais”, contou o curador, investigador e crítico de arte.
Na última visita técnica que o curador fez aos ateliers destes dois autores – que vivem e trabalham nas Caldas – ficaram logo resolvidas três áreas da exposição: a do fundo com grandes pinturas do mundo natural e mais duas áreas com desenhos e estudos de cada um deles. Numa delas, o curador quis trazer a parede tal e qual existe no atelier de Bartolomeu de Gusmão. E ela foi reproduzida nesta exposição onde “aproveitámos um quarto dos trabalhos… Tudo ficou resolvido num trabalho intenso de uma semana”, contou Óscar Faria, que também quis colocar uma mesa posta no meio da exposição onde foi servida a champanhe da inauguração.
“O CCC foi uma feliz descoberta e conheci o espaço através dos artistas”, contou o curador.
Bartolomeu de Gusmão sublinhou o facto das Caldas ser uma cidade de artistas, “onde há momentos de partilha e de troca de afetos entre autores”. Por seu lado Sebastião Casanova explicou que as pinturas que fez “partem de experiências vividas”, e reproduz em pinturas normalmente em grande escala, a partir de fotografia. Há paisagens em espaços de animação noturna, em cozinhas, mundo que o artista também conheceu bem.
Dos dois autores estão ainda presentes selfies, retratos, autorretratos e paisagens, muitos de grande escala e que quase impacto no visitante.
O curador informou que irá continuar a trabalhar com estes dois artistas.
Esta é já a terceira vez que Óscar Faria trabalha com Sebastião Casanova tendo feito com o autor duas exposições na galeria Pedro Oliveira no Porto e também na Caos, Casa d’Artes e Ofícios em Viseu.
“Caldas tem um contexto único no país”
Óscar Faria veio pela primeira vez às Caldas para conhecer in loco o trabalho de Sebastião Casanova. “Neste momento já somo mais de 20 visitas a ateliers de artistas”, disse o curador acrescentando que as Caldas tem por isso “um contexto único no país”. Não só por causa da ESAD.CR ser uma escola de artes mais recente em relação às de Lisboa e do Porto como também por oferecer um contexto mais económico aos artistas relativamente aos grandes centros urbanos. “Tenho visto obras de grande qualidade, muito acima do que estou habituado a ver”, rematou o curador.
Sebastião de Gusmão sublinhou que a crise da habitação é um dos maiores problemas que vive a sua geração. Os dois autores concordam que as Caldas lhes permite local que lhes permite ter qualidade de vida e desenvolver o seu trabalho autoral.
A exposição “Contranatura” está patente na galeria do CCC até 29 de março.

